Covas vira alvo preferencial e rivaliza com Boulos em debate

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 14.10.2020 - O prefeito de São Paulo e Candidato à reeleição, Bruno Covas. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 14.10.2020 - O prefeito de São Paulo e Candidato à reeleição, Bruno Covas. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Candidato à reeleição e líder nas pesquisas, Bruno Covas (PSDB) virou o alvo preferencial dos adversários no debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido pela Folha de S.Paulo e o UOL nesta quarta-feira (11).

Cobrado por problemas de sua gestão, o tucano rivalizou com Guilherme Boulos (PSOL), um dos que estão empatados tecnicamente em segundo lugar, ao lado de Celso Russomanno (Republicanos) e Márcio França (PSB), que também participaram do confronto.

Covas e Boulos trocaram perguntas e críticas. O prefeito atacou o líder de moradia pela inexperiência em cargos públicos. O nome do PSOL rebateu, defendendendo sua atuação em movimentos sociais e questionando o adversário sobre a ausência do governador João Doria (PSDB) na campanha.

"Desculpa, mas a diferença entre vender sonho e vender realidade é justamente a consciência da situação. Precisa conhecer os números da cidade de São Paulo", disse Covas para Boulos.

"De fato, a experiência que você tem, governando com o PSDB, que deixou um legado de um governo elitista, com escândalos, essa eu quero longe de mim. A respeito de capacidade de gestao, ninguém governa sozinho. Precisa ter equipe. E tenho sensibilidade social", respondeu o postulante do PSOL.

O candidato à reeleição ouviu dos três concorrentes críticas à sua gestão em áreas como saúde, educação, moradia e transporte.

Foram convidados para o debate os quatros candidatos à Prefeitura de São Paulo mais bem colocados na última pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 5. De acordo com o levantamento, Covas está isolado em primeiro lugar, com 28% das intenções de votos.

Empatados tecnicamente em segundo lugar estão Russomanno, com 16%, seguido de Boulos, com 14%, e França, que aparece com 13%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Os postulantes à prefeitura foram entrevistados pela editora do Núcleo de Cidades da Folha, Luciana Coelho, e pela colunista do UOL Thaís Oyama.

Para evitar aglomeração devido à pandemia do coronavírus, o debate foi realizado sem plateia, no estúdio UOL, na avenida Faria Lima, em São Paulo. O evento seguiu as orientações de distanciamento, uso de máscara e medição de temperatura.

O formato adotado para o debate, em que cada candidato tem um banco de tempo, é inovador no país e é usado tradicionalmente na França. Cada candidato começa com um saldo de 15 minutos para falar, que vai sendo descontado ao longo do programa até chegar a zero -como em jogos oficiais de xadrez, por exemplo.

O primeiro turno da eleição acontece neste domingo (15). Se houver segundo turno em São Paulo, o debate Folha/UOL será no dia 26 de novembro, às 10h.

O formato adotado será o mesmo de banco de tempo, mas com 30 minutos para cada candidato.

Como mostrou a Folha, a semana anterior ao primeiro turno será decisiva, com uma sequência de três debates. Nesta terça (10), o jornal O Estado de S. Paulo realizou o encontro em parceria com a Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Nesta quinta (12), os candidatos se encontram em debate da TV Cultura.

Além dos quatro candidatos em melhor posição nas pesquisas, a TV Cultura convidou os postulantes com representação no Congresso, como determina a lei eleitoral para debates televisivos, o que inclui também: Jilmar Tatto (PT), Arthur do Val (Patriota), Joice Hasselmann (PSL), Orlando Silva (PC do B), Andrea Matarazzo (PSD) e Marina Helou (Rede).

Russomanno, que indicava a intenção de não comparecer aos embates, reviu a estratégia no momento em que sua queda nas intenções de voto se acelera. Na pesquisa Datafolha divulgada em 23 de setembro, ele liderava a corrida com 29%.

Seu derretimento é atribuído ao apoio de Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo o Datafolha, 64% dos moradores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em um postulante a prefeito apoiado pelo presidente da República.

A campanha eleitoral foi marcada até aqui pela pandemia, pela ausência de debates na TV e pela míngua nos atos de rua.

Nesta última semana, além da sequência de debates, os principais candidatos se voltaram para visitas e compromissos em bairros periféricos da cidade, enquanto optaram por veicular no horário eleitoral peças que resumem suas propostas.

Adiadas de outubro para novembro por causa da pandemia do novo coronavírus, as eleições de 2020 só agora passam a receber atenção maior do eleitor. Na pesquisa espontânea do Datafolha, 30% dos entrevistados ainda respondem que não sabem em quem votarão -no levantamento anterior, eram 36%.

Entre os que respondem já ter candidato para a votação do próximo domingo, há uma cobiçada fatia de 42% que dizem que seu voto ainda pode mudar. Segundo dados do Datafolha do último dia 5, a migração de votos favorece sobretudo os candidatos Covas e França.