Covaxin: Flávio Bolsonaro teria levado empresário suspeito de irregularidades a reunião do BNDES

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Foto: REUTERS/Adriano Machado
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  • Flávio Bolsonaro teria aberto as portas do governo federal para empresário acusado de envolvimento em compra superfaturada de vacinas contra a Covid-19

  • BNDES confirmou reunião em que ambos estiveram presentes, mas não explicou presença do parlamentar

  • Empresário Francisco Maximiano deve prestar depoimento na CPI da Covid nos próximos dias

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) teria levado, mais de uma vez, Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, para reuniões dentro do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). A farmacêutica fechou contrato de venda da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. As informações são da Veja. 

Em outubro do ano passado, o senador participou de uma videoconferência com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, de quem é amigo, e com Maximiano, que nesse evento representava outra de suas empresas, a Xis Internet Fibra. De acordo com a apuração da Veja, a reunião constava na agenda oficial do órgão. 

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Questionado pela Veja, o BNDES alegou que a videochamada foi feita para tratar dos investimentos do empresário. 

“O presidente Gustavo Montezano se reuniu em 13/10/2020 com executivos da XIS Internet Fibra, que buscavam alternativas de financiamento para seus investimentos. Após esse encontro virtual, ocorreu nova reunião da equipe técnica do banco para explicação mais detalhada das alternativas de apoio ao setor de telecomunicações, a qual não contou com a participação do presidente Montezano ou do senador. Não ocorreu nenhuma contratação do BNDES com a XIS Internet Fibra e nem existe trâmite para isso atualmente”, afirmou a assessoria do banco.

A assessoria, no entanto, não deu razões para a presença de Flávio Bolsonaro no evento, mas confirmou a participação do parlamentar, que ainda não se manifestou. 

Francisco Maximiano terá de prestar depoimento na CPI da Covid sobre as denúncias envolvendo os contratos da Covaxin. A data da sua oitiva ainda não foi definida, mas pode acontecer já na próxima semana. 

Possível caso de corrupção na compra de vacinas Covaxin

Foto: AP Photo/Anupam Nath
Foto: AP Photo/Anupam Nath

Na madrugada desta quinta-feira (24), o deputado Luís Miranda (DEM-DF) disse ter alertado Bolsonaro sobre um possível caso de corrupção envolvendo a compra de vacinas Covaxin.

Segundo o irmão do parlamentar que trabalha no Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, ele estaria sendo pressionado para aprovar com mais rapidez o uso do imunizante no Brasil.

“Presidente Jair Bolsonaro, você fala tanto em Deus e permite que eu e meu irmão, sejamos atacados por tentarmos ajudar o seu governo, denunciando para o Senhor indícios de corrupção em um contrato do Ministério da Saúde! Sempre te defendi e essa é a recompensa?”, escreveu o deputado no Twitter.

MPF identifica indícios de crime na compra da Covaxin

O Ministério Público Federal (MPF) está investigando os contratos entre a empresa Bharat Biotech, responsável pela vacina indiana Covaxin, e o Ministério da Saúde.

Nesta semana, o órgão pediu que o caso seja investigado na esfera criminal. Até então, as investigações eram apuradas como parte de um inquérito que tramitava na esfera cível.

De acordo com a procurada da República que conduzia as investigações na esfera cívil, Luciana Loureiro, a "omissão de atitudes corretiva" e o elevado preço pago pelo governo pelas doses da vacina fazem com que o caso seja investigado na esfera criminal.

Na terça-feira (22), reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que o governo Bolsonaro comprou a vacina Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech, por um valor 1.000% maior do que o estimado pela própria empresa seis meses antes.

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