Queiroga se irrita em entrevista após pergunta sobre Covaxin

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Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chega ao Palácio do Planalto para participar de evento
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participou de evento hoje no Palácio do Planalto (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
  • Ministro da Saúde se irrita ao ser questionado por jornalistas sobre contrato do governo para compra da Covaxin

  • Processo é alvo de investigação pelo MPF e pela CPI da Covid no Senado

  • “Eu falei em que idioma?", disse Marcelo Queiroga, sem responder se contrato será mantido

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se irritou, nesta quarta-feira (23), ao ser questionado por jornalistas sobre o contrato do governo federal para a compra da vacina indiana Covaxin.

Em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, um repórter perguntou sobre a diferença de preço entre a Covaxin e as demais vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde. Ele não respondeu se a compra será mantida diante das investigações de indícios de crime na negociação.

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“Todas as vacinas que têm registro definitivo da Anvisa ou emergencial o ministério considera para aquisições. Então, esperamos esse tipo de posicionamento para tomar uma posição acerca, não só dessa vacina, mas de qualquer outra vacina que obtenha registro emergencial ou definitivo da Anvisa. Porque nós já temos, hoje, um número de doses de vacina contratadas acima de 630 milhões e o governo federal tem feito a campanha de vacinação acelerar”, declarou.

"Os senhores vão comprar a Covaxin com esse preço que está sendo questionado?", perguntou um jornalista.

“Eu falei em que idioma? Eu falei em português. Então não foi comprada uma dose sequer da vacina Covaxin, nem da Sputnik”, retrucou Queiroga.

Jornalistas que acompanhavam a entrevista insistiram, e explicaram que a pergunta era sobre pagamentos futuros – relativos ao contrato já firmado.

"Futuro é futuro", disse o ministro, encerrando a entrevista sem responder novas perguntas.

MPF investiga indícios de crime

O Ministério Público Federal (MPF) apura indícios de crime na compra feita pelo Ministério da Saúde de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. O governo do presidente Jair Bolsonaro comprou a vacina produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech por um valor 1.000% maior do que o estimado pela própria empresa seis meses antes.

O contrato para a compra da Covaxin totalizou R$ 1,6 bilhão e foi firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa, que representa o laboratório indiano no Brasil, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

A dose da Covaxin é a mais cara entre todas as que foram contratadas pelo Ministério da Saúde, e o processo de aquisição o mais célere de todos, apesar dos alertas sobre “dúvidas” em relação à eficácia, à segurança e ao preço da Covaxin.

A negociação foi a única que envolveu a participação de um intermediário privado e sem vínculo com a indústria de vacinas. 

Os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado também vão investigar o contrato de compra da Covaxin. Documentos obtidos pela CPI mostram que a representante Precisa Medicamentos lucrou com a transação.

Pelo contrato assinado em fevereiro, as primeiras doses deveriam chegar ao Brasil em maio, mas até o momento, nenhum frasco foi entregue.

Dessa forma, o Ministério da Saúde ainda não fez nenhum pagamento no contrato.

O imunizante do laboratório indiano Bharat Biotech só recebeu autorização para uso emergencial, pela Anvisa, neste mês, e assim mesmo, com restrições.

O presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou nesta quarta-feira (23) que as denúncias de pressão para a liberação da importação da vacina Covaxin e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida pela comissão.

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