Covereadora de São Paulo denuncia terceiro caso de intimidação contra parlamentares trans em uma semana

Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO — Uma semana após uma integrante da Bancada Feminista, mandato coletivo do PSOL na Câmara dos Vereadores de São Paulo, registrar um boletim de ocorrência (BO) após dois tiros serem disparados contra a parede de sua casa, outra covereadora do partido também foi à Polícia por causa de uma possível intimidação em frente à sua casa. Samara Sosthenes, do Quliombo Periférico, outro mandato coletivo do PSOL, protocolou um BO após um disparo ter sido efetudo para o alto em frente à sua casa.

De acordo com o documento, na madrugada de domingo, um homem em uma moto parou em frente à casa da co-vereadora, onde também estavam sua mãe e irmãos, e disparou para cima. O ato foi visto por uma testemunha e registrado como tentativa de intimidação e ameaça.

A rua onde mora a vereadora é sem saída e não possuí câmeras de vídeo, segundo o BO. De acordo com o documento, o projétil disparado não foi localizado.

"A vítima acredita que a motivação de tal ato pode ter sido por questões políticas e de transfobia, razão pela qual se sente ameaçada e teme pela sua integridade física", afirma o boletim de ocorrência.

Na última quarta-feira, Carolina Iara de Oliveira (Psol) registrou em boletim de ocorrência ter sofrido um atentado durante a madrugada. Pelo menos dois tiros de arma de fogo foram disparados por volta de 2h contra a parede da casa onde ela vivia até ontem com a mãe e o irmão, na Zona Leste da capital. Uma das balas ficou alojada entre os tijolos da residência. Ninguém se feriu.

No dia seguinte, mais uma vereadora do PSOL registrou boletim de ocorrência. Erika Hilton foi intimidada dentro de seu gabinete por um homem que se identificava como "garçom reaça" portando bandeira e máscaras com símbolos cristãos.

Além de serem integrantes do Psol, as três são transexuais.

Após o ataque contra Carolina, o Psol indicou que deve discutir com a Presidência da Câmara dos Vereadores paulistana que providências adotar em relação ao caso.

"Exigimos investigação imediata, pois não podemos permitir que uma mulher preta, travesti e intersexo seja silenciada com violência. Fascistas não passarão!", escreveram integrantes da Bancada Feminista em suas redes sociais.