Covid-19: 25 cidades do Rio estão com a segunda dose da vacina CoronaVac suspensa

Bernardo Yoneshigue
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RIO - Sem vacinas, ao menos 25 municípios do Estado do Rio de Janeiro estavam com a aplicação da segunda dose com a vacina CoronaVac suspensa ao fim desta quinta-feira, dia 29. Na expectativa de receber mais doses, com o envio de 600 mil unidades do Instituto Butantan ao Ministério da Saúde nesta sexta-feira, as prefeituras planejam retomar a vacinação deste grupo na próxima semana.

Com o atraso, apesar de, segundo a bula do imunizante, o intervalo máximo sugerido entre as doses ser de 28 dias, em diversas cidades há idosos que já ultrapassaram esse limite, e ainda não sabem quando irão completar a sua imunização.

É o caso de Célia Regina, de 68 anos, que tomou a primeira dose da CoronaVac no dia 27 de março, há mais de 30 dias, em Duque de Caxias. A última convocação feita pelo município para a segunda aplicação com o imunizante foi nesta segunda-feira, dia 26, só que para as pessoas que haviam recebido a primeira dose no dia 24 de março, ou seja, já com atraso. Desde então, assim como em outras cidades, a segunda dose da vacina está suspensa.

A neta de Célia, Glennda Badaró, de 22 anos, acompanha as redes sociais da prefeitura diariamente para descobrir quando a avó finalmente será chamada para completar a vacinação. Ela conta que, apesar de hoje não ter previsão, quando Célia recebeu a primeira dose, a segunda estava marcada para 17 de abril.

— Estou com bastante medo de que essa segunda dose demore ainda mais. A minha vó, por exemplo, já passou de 32 dias. E vale lembrar que a segunda dose deveria ser tomada com um intervalo de até 28 dias — conta Glennda.

Além de Caxias, ao menos outros 24 municípios suspenderam a segunda aplicação durante esta semana por falta de unidades da CoronaVac no estoque. São eles: Nova Iguaçu; Campos dos Goytacazes; Volta Redonda; Barra Mansa; Teresópolis; Mesquita; Maricá; Nilópolis; Niterói; Seropédica; Três Rios; Rio Bonito; Cachoeiras de Macacu; Mangaratiba; Casimiro de Abreu; Santo Antônio de Pádua; Bom Jesus do Itabapoana; Vassouras; Arraial do Cabo; Pinheiral; Quissamã; Itaocara; Italva e Duas Barras.

Algumas prefeituras alegam ter seguido as recomendações do Ministério da Saúde, que orientou aos estados e municípios que utilizassem a reserva de imunizantes para segunda dose como uma primeira aplicação, a fim de acelerar o ritmo da vacinação no país.

Já cidades como Niterói e Maricá, atribuem a suspensão ao atraso no repasse dos imunizantes pelo Ministério. Niterói diz ainda que houve uma grande procura pela segunda dose na cidade por pessoas que tomaram a primeira em outros municípios.

Já na capital, o prefeito Eduardo Paes (DEM) afirmou, nesta quinta-feira, que há unidades do imunizante suficientes para a segunda dose até o fim de semana no município.

— Temos sim condições de fazer (a imunização) até o fim de semana e esperamos que, na segunda-feira, como prometido, cheguem as doses da vacina. Chegando as doses a gente prossegue normalmente. A princípio não há nenhum risco para as pessoas que já foram vacinadas e aguardam para tomar a segunda dose. Podem ter tranquilidade — disse o prefeito, nesta manhã, em evento de inauguração de um posto de vacinação na Ilha do Governador.

Intervalo entre as doses

Algumas cidades, como Nova Iguaçu, Maricá e Santo Antônio de Pádua, já haviam marcado o retorno para a segunda dose em um intervalo menor que os 28 dias. Nestes casos, as prefeituras explicam que podem adiar a aplicação em uma semana sem ultrapassar o limite recomendado na bula do imunizante.

Já outras, como Duque de Caxias, Mesquita e Nilópolis marcaram no limite dos 28 dias, e são mais afetadas pelo atraso da aplicação. Mesmo assim, o Ministério da Saúde orienta que a segunda dose deve ser oferecida assim que possível, ainda que fora do prazo.

"A população deve tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 mesmo que a aplicação ocorra fora do prazo recomendado pelo laboratório. Essa é a orientação do Ministério da Saúde, que reforça a importância de se completar o esquema vacinal para assegurar a proteção adequada contra a doença", disse em nota.

Em coletiva, na quarta-feira, dia 28, o presidente do Instituto Butantan — responsável pela produção da CoronaVac no Brasil — Dimas Covas reforçou que, para que a imunização seja completa, é importante a aplicação da segunda dose da vacina, mesmo com intervalo maior que o recomendado em bula.