Covid-19: Afastamento de alunos por pouco tempo preocupa professores em SP

Manaus, 2.jun.2020 - Testes de Covid-19 e Malária são realizados a bordo de UBS fluvial em comunidade ribeirinha do município de Manaus
Manaus, 2.jun.2020 - Testes de Covid-19 e Malária são realizados a bordo de UBS fluvial em comunidade ribeirinha do município de Manaus

O afastamento de alunos do ensino médio de uma escola estadual da zona oeste de São Paulo por apenas quatro dias após a confirmação do contágio pelo novo coronavírus vem preocupando professores e profissionais da rede pública de ensino.

O problema começou nesta semana, quando dois alunos do Ensino Médio foram à UBS Jardim D’Abril, na região do Rio Pequeno, onde o teste rápido de antígeno confirmou a suspeita de contaminação. Lá, receberam na última quinta-feira (2) um atestado médico solicitando quatro dias de afastamento por motivo de saúde. Na última terça-feira (7) ambos já haviam voltado a dividir os espaços da escola com colegas e profissionais.

O protocolo seguido por todas as instâncias de saúde atualmente é um mínimo de sete dias de isolamento para os pacientes confirmados. “No mínimo solicitamos cinco dias, realizando um novo teste ao final disso, ou sete dias com a liberação caso não haja nenhum outro sintoma, como febre”, explica a infectologista Natasha Nicos, participante do Projeto S, que estudou o efeito da Coronavac na totalidade da população de Serrana, no interior paulista, que reforça:

“Apesar de o pico da variante Omicron ser mais rápido, por sete dias a pessoa ainda está transmitindo o vírus”. Para Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, o problema é mais grave quando dentro de uma escola com mais de mil alunos em três turnos, como é o caso da Escola Estadual Sólon Borges dos Reis, também no Rio Pequeno. “Crianças e adolescentes têm menos disciplina com o uso da máscara, o que aumenta a transmissão”.

Chebabo avalia, no entanto, que os sete dias são contados a partir do primeiro dia dos sintomas. A mãe de um dos alunos contaminados, que prefere não se identificar, afirma que o filho está assintomático, mas avalia que se dependesse dela e do filho, ficariam mais tempo em isolamento. “conversei na direção e eles me disseram que tem que acatar o atestado, que é de 4 dias; e que se faltar, vai ficar sem presença e justificativa", conta.

Montagem com exemplos de atestados médicos solicitando quatro dias de afastamento para pacientes detectados com Covid-19
Montagem com exemplos de atestados médicos solicitando quatro dias de afastamento para pacientes detectados com Covid-19

Ela destaca ainda a diferença do cuidado entre a rede pública e uma escola privada do bairro: “Meu sobrinho, de uma particular, já foi dispensado por 14 dias, porque a diretora já avisou que não vai acatar o atestado médico”.

O comunicado externo 147/2022, publicado pela secretaria estadual de educação, determina que os estudantes sob suspeita de Covid-19 ou que tenham testado positivo devem ficar em isolamento, “conforme atestado médico, ou por 7 dias e não frequentar a escola”. O documento ainda determina que em casos assintomáticos, o dia da coleta do exame é contado como 0, e o seguinte, o primeiro de quarentena.

Um professor da unidade que também prefere não se identificar afirma que casos semelhantes vêm ocorrendo em outras escolas de diferentes regiões de São Paulo, e que os alunos vêm frequentando as aulas normalmente, temendo ser penalizados por faltas não justificadas e ausência em atividades.

“É no mínimo um descaso, uma negligência, omissão do poder público jogar o cara na escola desse jeito; vejo colegas de outras diretorias de ensino relatando alunos voltando às atividades infectados com este mesmo intervalo; não é um caso isolado, e mesmo que fosse isolado, diz respeito à vida de dezenas de profissionais, e os outros milhares de alunos”, observa.

Segundo ele, outra escola estadual no bairro do Grajaú, zona sul da capital, já há oito professores afastados com Covid-19, que pegaram na mesma semana. “Está caótica a situação.”

Em nota, Secretaria Municipal da Saúde (SMS), responsável pelas unidades básicas de saúde como a que diagnosticou e afastou por quatro dias os alunos do Rio Pequeno, afirma que para casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, o protocolo atual define o afastamento de sete dias a partir do início dos sintomas. “Desta forma, caso os sintomas tenham começado há três dias, o atestado médico será de quatro dias a contar a partir da data da avaliação médica”.

“Após os sete dias, o isolamento poderá ser interrompido desde que o indivíduo esteja há 24 horas sem febre, sem uso de medicamentos antitérmicos e com remissão dos sintomas respiratórios. Se o indivíduo permanecer sintomático até o sétimo dia de início de sintomas, o isolamento deve ser mantido até o 10º dia”, completa a notificação enviada pela pasta.

Nova onda Omicron

O último boletim do Infogripe, da Fiocruz, estima em até 8.600 casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) somente na última semana em todo país. Segundo o levantamento, nas últimas quatro semanas, 69% dos casos de Srag foram causados pelo coronavírus, sendo que mais de 92% das mortes foram em decorrência do Sars-CoV-2.

Durante este ano já foram notificados 155.227 casos de Srag, sendo 75.012 (48,3%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Destes, 82,7% apontaram a contaminação por coronavírus.

No último domingo o Brasil enfrentou o décimo dia seguido de altas na média móvel de novos casos de Covid-19, com 29.342 positivados. Nesta quinta-feira (9) foram registrados 45.073 novos casos, segundo o Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass).

Em meio à alta, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o aumento de infecções ocorre por conta da estação do ano. Ele afirmou, ainda, que o sistema de Saúde do país não está comprometido.

"Houve um aumento de casos, primeiro porque a gente vive a época do outono-inverno, é uma sazonalidade, não só aumentam os casos de covid, mas também pode aumentar das outras viroses respiratórias, influenza, adenovírus, e nisso de alguma maneira causou pressão sobre o sistema de saúde", disse Queiroga à imprensa, após receber a 4ª dose da vacina contra a doença, em Brasília.

Para Leonardo Bastos, doutor em estatística e pesquisador do Infogripe, é cedo para avaliar a sazonalidade do coronavírus como acontece, por exemplo, com a gripe. “Para isso precisariamos que a Covid-19 estivesse em um padrão endêmico, e ainda não tivemos tempo suficiente para isso” afirma. Para ele, esta subida atual pode ser por conta de um comportamento sazonal, mas também por uma mudança geral de comportamento, como relaxamento do uso de máscaras.

Ao longo de todo o ano de 2019, último sem a influência do coronavírus no relato de casos de Srag, foram 43.938 infecções reportadas, contra 710.159 em 2020 e 1.051.764 em 2021, ano em que a Covid-19 foi responsável pela morte de 412.880 pessoas.

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