Covid-19 ainda é preocupação para Copa do Mundo do Qatar, diz comitê organizador

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O avanço da variante Ômicron pelo mundo, especialmente na Europa, e os efeitos da Covid-19 sobre o futebol no Velho Continente, mesmo 20 meses depois do estouro da pandemia, lançaram o alerta para o Comitê Organizador da Copa do Mundo do Qatar: o vírus deve continuar sendo a maior fonte de preocupação até o evento.

No último dia 18, aconteceu a final da Copa Árabe, principal evento-teste para o Mundial. A Argélia venceu a Tunísia por 2 a 0 e os organizadores celebraram o fato de que apenas dois jogadores testaram positivo para a Covid-19 no torneio. Na Premier League, no mesmo período, dezenas de jogadores contraíram o vírus, o que ocasionou o adiamento de partidas.

Com seis dos oitos estádios da Copa já prontos e operando normalmente, e o sistema de transportes de massa funcionando bem, o comitê organizador perde o sono com o que não tem tanta condição de controlar.

— Ainda que estejamos otimistas quanto ao futuro da pandemia no mundo em 2022, a incerteza gerada pelas novas variantes, pelas restrições de viagem e pela eficácia das vacinas são o maior desafio que enfrentamos para planejar o Mundial — afirmou Fatma Al-Nuaimi diretora-executiva de comunicação do Supremo Comitê.

Ainda que a pandemia esteja consideravelmente sob controle no pequeno país do Oriente Médio, a Copa Árabe não aconteceu sem que houvesse algumas restrições. A maior parte das partidas ocorreu com os estádios tendo 75% da capacidade liberada. Protocolos sanitários foram adotados nos estádios e fora deles, envolvendo torcedores, jogadores e pessoal envolvido na realização do torneio.

A decisão da Copa Árabe ocorreu no mesmo dia em que o país comemora anualmente sua unificação. A tradicional festa pelas ruas de Doha ocorreu com capacidade de público reduzida, para controlar as aglomerações.

A competição serviu para os organizadores testarem, além dos estádios, o aeroporto internacional de Doha, ultramoderno, mas que receberá na Copa do Mundo um fluxo de viajantes sensivelmente maior do que o habitual. Na Copa Árabe, a venda de ingressos até as quartas de final havia sido de 560 mil entradas, bem maior do que os 300 mil esperados.

Além disso, com 16 equipes, o evento-teste serviu para o Qatar experimentar os centros de treinamento e as concentrações que serão colocadas à disposição no Mundial. Com uma área quatro vezes menor que a do estado do Rio, o país precisará estar apto para oferecer a melhor estrutura de trabalho para as 32 seleções da Copa do Mundo.

A distribuição das Fan IDs — cartões de identificação dos torcedores que oferecem acesso livre aos arredores dos estádios e ao transporte público no dia dos jogos — foi um problema na Copa Árabe. O comitê organizador afirma ter tempo para resolvê-lo. Até o Mundial, a ideia é refinar o conceito para corrigir as longas filas, consequência de um mega evento concentrado em uma área tão pequena.

Tudo isso será afetado pelo estágio da pandemia quando a Copa do Mundo chegar. O desafio dos qataris é organizar a competição mesmo dentro desse contexto de restrição, manter a segurança sanitária sem precisar fechar os portões dos estádios para os torcedores, como ocorreu nos Jogos de Tóquio.

— No contexto da Covid-19, nosso compromisso em organizar bem a Copa do Mundo tem um significado especial. O Mundial será uma das primeiras oportunidades para o povo de todo mundo se reunir desde a pandemia — lembrou Fatma Al-Nuaimi.

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