Covid-19: após 12 dias intubada, idosa melhora e recebe visita surpresa da filha vestida de 'médica da alegria'

Priscilla Aguiar Litwak
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NITERÓI — Boas doses de cuidado, fé, amor e palhaçada foram os ingredientes que trouxeram a niteroiense Diná dos Santos de Asevedo, de 63 anos, de “volta à vida”, em suas próprias palavras. Internada desde o dia 21 de março no Hospital Niterói Dor, a idosa, que tem diabetes, hipertensão e arritmia cardíaca, foi intubada e passou 12 dias em estado grave em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Nesta quarta-feira, Diná comemora mais uma evolução clínica: voltou a andar sozinha. A idosa acredita em uma intervenção divina. Ela relata ter ouvido, enquanto estava intubada, uma corrente de oração formada por familiares e amigos, que acontece diariamente, às 18h, no hospital.

Seu milagre, como prefere chamar, aconteceu no dia 3, quando foi desintubada e transferida do CTI para a Unidade de Terapia Semi-Intensiva. Quatro dias depois, Diná recebeu a visita surpresa da filha, a jornalista Luciana Azevedo, de 38 anos, vestida de Dra. Aurora Boreal, a palhaça que interpreta no grupo Servos da Alegria, do qual é voluntária.

Diná conta detalhes de seu quadro clínico e admite que antes de ser intubada chegou a temer pela vida, mas ressalta que manteve a fé e a esperança e não desanimou.— Fiquei em coma induzido porque os remédios não estavam fazendo efeito. Ouvi as vozes do CTI, onde estava, e aos poucos fui acordando da sedação mesmo entubada. Me considero um milagre, porque quando falaram que iam me intubar, não quis contar para as minhas filhas, achei que não fosse voltar. Mas, como sou uma pessoa de muita fé, me agarrei a Deus. Acho que sou nova e ainda tenho um propósito de vida a cumprir. Graças a Deus, e também pelo apoio, as orações e os carinho da minha família, superei isso — conta.Diná diz ainda que hoje seu maior sonho é voltar para casa, para familia, e seguir a vida, que agora terá um novo sentido. — Já estou vendo a vida diferente. Tenho mais certeza de que podemos sair dessa com fé e força de vontade, querendo seguir em frente e viver. Se você desanimar, não caminha. Em momento nenhum desanimei.Quanto à surpresa de ver a filha vestida na pele da "médica da alegria", a idosa acredita ter sido esse um dos principais motivos para a sua evolução clínica. — Eu amei a surpresa da Lu. Não esperava. Estava me sentindo muito sozinha. Acho que minha recuperação teve um avanço maior por ela estar comigo. Nada como alguém da sua família para te dar a mão e dizer “vamos em frente que a vida continua” — reflete.

Há mais de um ano sem poder fazer visitas como a Dra. Aurora Boreal, devido à pandemia, Luciana conta que teve a ideia de alegrar a mãe com essa personagem assim que as visitas foram liberadas. Animada, a Dra. Aurora chegou cantando a música “A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus”, tema do Servos da Alegria, que, na pandemia, está parado. No grupo, cada participante é apadrinhado, e Diná é a madrinha de Luciana. — Nunca imaginei um dia visitá-la nessa situação. Queria tirar um sorriso dela, e acho que deu certo. Aliás, este não foi o único sorriso, conta a filha: — Minha mãe falou para o fisioterapeuta que eu sou muito ativa, brincalhona e faço stand up. Era o paddle, mas ele passou três dias achando que eu era humorista e depois pediu para eu contar uma piada — diverte-se. — Para completar, minha mãe se animou, disse que ia dançar e a fralda que ela estava usando caiu. E eu ainda quebrei a cortina do quarto. Foi uma vergonha, mas garantimos boas risadas.

Apesar de bem-humorada, a jornalista relata ser linha dura com a mãe, que, desde a visita surpresa, passou a acompanhar de perto: — Ela já deu alguns sustos. E aqui eu sou a chata, que cobra as coisas, e também a faz-tudo.Luciana dorme com a mãe no hospital e só vai em casa a cada três dias para botar comida para os gatos da família e pegar novas mudas de roupa. As duas foram diagnosticadas com Covid-19 com diferença de dois dias. Luciana chegou a ter 25% do pulmão comprometido, mas não precisou ser internada. A jornalista lembra a angústia que foram os dias em que a mãe foi mantida intubada e mal pode esperar para tê-la em casa. — Foram os dias mais difíceis da minha vida. Eu fiquei ainda mais próxima de Deus, e hoje ela é o nosso milagre. Já consegue ficar bastante tempo sem o respirador. Agora, é só aguardar fazer o desmame completo para ir para o quarto e depois finalmente ter alta. Não vemos a hora de esse momento acontecer — conclui.

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