Covid-19: autoridades prometem mais leitos, mas faltam profissionais de saúde no Rio

Rafael Galdo
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“É o pior momento da pandemia. Estamos exaustos, e os pacientes chegam mais graves, muitos direto para a respiração mecânica. A gente faz, faz, mas faltam mãos, e os plantões de 24 horas se tornaram de 36, 48 horas”. O desabafo, de um profissional de saúde do Hospital municipal Evandro Freire, na Zona Norte do Rio, sintetiza aflições que têm se alastrado no front contra a Covid-19: nesta nova onda da pandemia, de recordes nas filas de internação, governos prometem abrir pelo menos 744 novos leitos, 455 deles de UTI para pacientes do coronavírus, e contratar cerca de 1.100 profissionais de saúde no Rio. Mas, além da sobrecarga de trabalho daqueles que já atuam nos hospitais, o momento é de escassez de mão de obra qualificada, sobretudo, na terapia intensiva, onde cada ação pode significar a diferença entre a vida e a morte.

— Existe um limite para a abertura de leitos. Se não tiver quem cuidar do paciente, não adianta. Já não tínhamos equipes especializadas suficientes para a terapia intensiva. Na pandemia, foram incluídos profissionais que não tinham o mesmo grau de treinamento, que estavam se formando, numa residência que dura de três a cinco anos. Até esses começam a se esgotar — afirma a médica intensivista Lara Kretzer, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib). — É uma guerra. Se a pandemia seguir nesse ritmo, nem sei o que pensar. Prefiro viver um dia de cada vez.