COVID-19 avança em presídios dos Estados Unidos, alertam estudos

A ameaça do coronavírus: detenta na enfermaria do Presídio Feminino Las Colinas em Santee, Califórnia

Os presídios americanos registraram 30 mil casos do novo coronavírus entre detentos e funcionários do sistema prisional, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) em um estudo acadêmico e outro do governo, que apontou carcereiros como possíveis vetores de disseminação da doença.

Dados compilados de fontes oficiais pelo Projeto COVID-19 Atrás das Grades, da faculdade de direito da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), mostraram que dos mais de dois milhões de pessoas encarceradas em todo o país, houve 21.007 casos confirmados do novo coronavírus e 295 mortes.

Entre funcionários do sistema prisional, foram registrados 8.754 casos e 34 mortes.

Os dados foram compilados de presídios federais, estaduais e locais de todo o país que reportam estas informações.

As infecções em presídios americanos dispararam nas últimas semanas mesmo quando o total nacional diário pareça ter alcançado um platô.

Apesar de o coronavírus ter atingido a população americana duramente, com 1,2 milhão de casos confirmados e mais de 70 mil mortes, algumas regiões ainda não avaliam as infecções em presídios, enquanto outras fizeram apenas testes limitados.

Muitas das mais de mil instalações ou unidades de registro reportaram nenhuma ou apenas uma infecção.

Mas em algumas, são centenas, até milhares: no presídio estadual de Marion, Ohio, 2.176 detentos e 175 carcereiros foram infectados, entre os quais 12 morreram.

Em Pickaway, outro presídio de Ohio, 1.670 detentos e 101 agentes foram infectados e houve 26 mortes.

Na prisão estadual de Trousdale, no Tennessee, 1.285 detentos e 50 funcionários testaram positivo para a COVID-19 e uma morte foi reportada.

Um relatório sobre a epidemia do coronavírus em presídios divulgado nesta quarta-feira pelos Centros de Controle de Doenças chamou atenção para um alto nível de infecção por COVID-19 entre funcionários do sistema prisional.

Usando dados obtidos anteriormente e menos completos do que os da UCLA, o estudo dos CDC destacou que metade das instalações carcerárias que reportaram pelo menos um caso de coronavírus listaram apenas os funcionários como infectados.

"Por circularem entre as instalações e suas comunidades diariamente, eles podem ser uma fonte importante de introdução do vírus nas prisões", advertiu o estudo.