Covid-19: Brasil passa de 7 milhões de infectados, e média móvel de casos é a maior dos últimos 134 dias, diz boletim

Bruno Alfano
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Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

RIO — O Brasil registrou nesta quarta-feira 965 mortes causadas pela Covid-19, elevando para 183.819o número de vidas perdidas pela doença. Foram contabilizados 68.123 novos casos de coronavírus, totalizando 7.042.381 infectados pelo Sars-CoV-2.

Os dados desta quarta-feira, no entanto, não incluem as informações de São Paulo. Em nota, o estado informou que "foi impossibilitado de fazer o processamento total de dados de Covid-19 devido a novas falhas no sistema do Ministério da Saúde, impactando a atualização dos casos e óbitos nesta data". O Amapá também não registrou os dados, mas ainda não informou o motivo.

A média móvel foi de 684 mortes, a maior desde 02 de outubro, já 76 dias. Já a média móvel de casos é de 44.609. O país não atingia esse nível de contaminação desde 04 de agosto, quando foi registrada 46.204 e é a maior de toda a pandemia. Isso foi há 134 dias.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Em meio ao aumento de casos e óbitos pela Covid-19 no país e com o ano chegando ao fim, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma cartilha com orientações de segurança para as festas de Natal e réveillon. O material inclui recomendações sobre como preparar e servir alimentos, organização do ambiente e medidas gerais de proteção para festividades em casa.

"Este será um fim de ano muito diferente daquele que todos gostaríamos de ter, mas é preciso encontrar um equilíbrio entre o desejo de estarmos todos juntos e a necessidade de medidas protetivas que a pandemia e, especialmente, o aumento do número de novos casos no país, nos coloca. Por isso, é muito importante que as pessoas tenham informações corretas e sigam as recomendações”, alertou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

A produção do material contou com colaboração do Observatório Covid-19 da Fiocruz e de outros especialistas da instituição. "A forma mais segura de passar o Natal e o Réveillon é ficar em casa e celebrar apenas com as pessoas que moram com você", indica a cartilha.

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que a imunização contra a Covid-19 vai começar no Brasil em até cinco dias depois de uma vacina ser registrada e a compra ter sido efetivada. A informação foi dada em resposta ao pedido de informação feito no fim de semana pelo ministro Ricardo Lewadowski.

“Registrada uma vacina, ou autorizado o uso emergencial de um imunizante, bem assim tenha sido o imunobiológico adquirido (nos termos da legislação pertinente) e entregue no Complexo de Armazenamento do Ministério da Saúde, a previsão da Pasta é iniciar a vacinação da primeira fase – no respectivo público alvo – em até cinco dias para Estados e Distrito Federal”, diz o documento assinado pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral Júnior.

O plano brasileiro de imunização contra a Covid-19 esta gerando críticas inclusive no exterior. O jornal americano The New York Times publicou uma materia na qual especialistas avaliam que o Brasil está mergulhado no caos e 'brincando com vidas'.

— Eles estão brincando com vidas — diz Denise Garrett, epidemiologista brasileira-americana do Sabin Vaccine Institute, que trabalha para expandir o acesso às vacinas: — Beira um crime.

Enquanto não há aprovação de nenhuma vacina para uso emergencial no Brasil, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pretende aprovar a vacina contra Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica americana Pfizer e pelo laboratório alemão BioNTech no dia 23 de dezembro, reportou nesta terça-feira o jornal alemão Bild citando fontes de governos e da Comissão Europeia. A EMA afirmou, no início do ano, que decidiria sobre a autorização do imunizante até o dia 29 de dezembro.