Covid-19: Brasil tem mortes notificadas com mais de 1 mês de atraso

Algumas mortes ocorridas no final de março e início de abril foram confirmadas para a Covid-19 somente nesta segunda-feira. (Foto: Michael Dantas / AFP via Getty Images)

Mortes ocorridas há mais de um mês estão tendo a causa atribuída ao novo coronavírus somente agora, evidenciando a proporção da subnotificação dos números da Covid-19 no Brasil.

Dados demonstrados pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (27) indicaram que óbitos ocorridos entre os dias 23 e 27 de março foram confirmados para a doença somente nas últimas 24 horas. Conforme o gráfico apresentado na coletiva do ministério, após o dia 28 de março em todos os dias - exceto 2 de abril - houve confirmação retroativa de óbitos em decorrência da doença.

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“Esses óbitos estão sendo encerrados, são óbitos que ocorreram em momentos distintos. Todas aquelas pontinhas mais escuras (no gráfico) são óbitos que entraram de ontem para hoje, que ocorreram em dias anteriores, que conseguiram concluir as investigações. Não quer dizer que aqueles 338 ocorreram no mesmo momento, de ontem para hoje”, explicou o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Oliveira.

As pontas em azul escuro no gráfico indicam o dias em que as mortes foram confirmadas retroativamente. (Foto: Reprodução/TV Brasil/Ministério da Saúde)

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Somente entre domingo (26) e segunda, o Brasil registrou 338 novas mortes por coronavírus, totalizando agora 4.543 óbitos.

Cerca de 14% das mortes registradas como suspeitas para o novo coronavírus ainda carecem de investigação. Das 4.543 mortes, 3.909 (86%) já tiveram as apurações concluídas e confirmadas para a Covid-19.

“Nós estamos com um percentual de resolutividade bastante importante. 86% dos óbitos registrados até o momento foram encerrados, foram concluídos com teste de diagnóstico”, completou Wanderson.

Ao todo, são 66.501 casos confirmados - no dia anterior, o Brasil passou da marca de 60 mil casos, com 61.888 no total.

O maior número de mortes diárias confirmadas é de 407 óbitos, registrado na última quinta-feira (23). Os balanços de sexta e sábado também já haviam apontado mais de 300 mortes cada. O próprio ministério, agora sob o comando de Nelson Teich, já disse que os números do fim de semana podem ser menores por causa da redução da equipes responsáveis pela checagem dos dados.

IBGE VAI AJUDAR NOS TESTES

Para tentar reduzir essa taxa de subnotificação, o ministro Nelson Teich anunciou, nesta segunda, que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vai auxiliar na identificação da melhor parcela da população a ser testada para Covid-19 de forma a entender o panorama da doença.

“Em relação a quem testar, como testar e quando testar, a gente está trazendo o IBGE pra nos ajudar a definir qual é a melhor amostra da população para ser testada, para que ela possa dar informação que a gente precisa para o entendimento da doença”, disse.

Teich, no entanto, não detalhou qual será o papel específico do IBGE.

A previsão passada pelo ministério é de realizar 46 milhões de testes em todo país, mas o governo vem enfrentando dificuldade para ampliar a capacidade de testagem. Até o dia 22 de abril, cerca de 340 mil testes tinham sido enviados aos Estados, dos quais 181 mil tinham sido aplicados, segundo dados do ministério.