Covid-19: Cidade do Rio inicia hoje plano de reabertura; veja o cronograma e o que dizem especialistas

Luiz Ernesto Magalhães, Lucas Altino e Ludmilla de Lima
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Surfistas na Praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio, durante o nascer do sol no primeiro dia do relaxamento gradual

No mesmo dia em que a capital do Rio ultrapassou os 30 mil casos de infectados pelo novo coronavírus, com 3.671 mortes, o prefeito Marcelo Crivella anunciou o plano de reabertura da economia e redução das medidas de isolamento social. As mudanças, que vão ser implementadas em seis fases, começam nesta terça-feira, quando os cariocas poderão voltar a andar no calçadão e a fazer atividades esportivas individuais no mar, como natação ou surfe (ainda está vetado permanecer na areia ou dar um mergulho). Lojas de móveis, agências de automóveis e hotéis também poderão levantar as portas. A prefeitura liberou ainda o funcionamento de templos religiosos, mas a Justiça barrou, na semana passada, a iniciativa, e, nesta segunda-feira, negou recurso do município.

A previsão é que cada uma das seis fases dure 15 dias, fazendo com que o plano só deva ser concluído em agosto. A prefeitura salientou, porém, que as medidas poderão ser adiantadas ou adiadas, de acordo com a capacidade da rede hospitalar de absorver casos de Covid-19. Por isso, o monitoramento do número de infectados, de óbitos e de leitos disponíveis será diário.

Na manhã desta terça-feira, os cariocas correram para aproveitar o dia de sol nas praias da cidade. Ainda teve confusão sobre o que pode ou não com a flexibilização, em especial na areia. Na água, foi difícil manter o distanciamento mínimo mesmo durante a prática de esportes.

Na Zona Oeste, o Recreio dos Bandeirantes atraiu os surfistas no início da manhã. Os esportistas chegavam com as pranchas acopladas nas bicicletas. Parte usava máscara, mas outra não estava com o equipamento de proteção. Um grupo de nadadores que caminhava em direção ao mar com pouco distanciamento entre os integrantes também chamou a atenção. E teve quem aproveitou para treinar em dupla na areia, com o personal trainer.

Na Zona Sul, as ondas do Arpoador também foram um atrativo para os surfistas, com mais de 30 pessoas no início da manhã. O distanciamento, também no balanço do mar, deveria ser respeitado, mas não somente em alguns momentos. As areias estavam com mais frequentadores. Alguns caminhavam, como é permitido, outros se aglomeravam em pequenos grupos, até mesmo para jogar altinho, prática proibida no horário próximo à água. Somente por volta das 9h30, policiais militares interviam para dispersar quem estava parado na areia.

A flexibilização anunciada na segunda-feira pelo prefeito Marcelo Crivella é vista com preocupação por especialistas. O epidemiologista Roberto Medronho, da UFRJ, teme uma explosão de casos de Covid-19 no Rio.

— Não é para abrir, é para fechar mais — opinou ele, destacando que a queda do número de internações não significa redução do número de mortes. — Temos visto um número de óbitos em casa bem maior do que no ano passado.

Medronho ressalta que o Rio atingirá o pico da doença quando registrar entre 55 mil e 56 mil casos, ainda esta semana:

— Mesmo os países europeus que fizeram a abertura na descendência (da curva de casos), com a população bem treinada para isso, o número de casos subiu. Aqui, eu tenho muito medo que exploda. Nenhum país do mundo abriu na ascendência da curva — disse ao “Bom Dia Rio”.

O médico infectologista e professor da UFRJ Rafael Galliez, contrário à reabertura econômica, também destaca o alto número de óbitos domiciliares “sem causa definida” na pandemia.

— Além dos óbitos, os estudos mostram que o índice de reprodução do vírus hoje no Rio ainda é alto, então se aumentar a mobilidade da população nas ruas agora vai ser jogar gasolina no processo.