Covid-19: Cidades na Baixada e no interior relatam vacinação prejudicada por 'poucas doses'

Arthur Leal e Carolina Callegari
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Após a distribuição estado à fora de 431,5 mil doses de vacinas contra a Covid-19 na última sexta-feira (9), a vacinação voltou a andar em alguns municípios do Rio de Janeiro que, ou precisaram interromper o cronograma, ou tiveram que frear o processo de imunização alegando escassez do produto. Apesar de a maioria das cidades procuradas pela reportagem terem afirmado que, ao menos por enquanto, a agenda segue a pleno vapor com o novo lote, cidades como Armação de Búzios, na Região dos Lagos, Duque de Caxias, Queimados e Guapimirim, na Baixada Fluminense, ainda afirmam que, por terem recebido poucas doses, precisarão parar ou reformular o calendário.

Em Búzios, a cidade está com a vacinação a passos lentos, quase parando. Nesta segunda-feira, foram vacinados quilombolas, e, até quinta-feira, serão feitas apenas repescagens para idosos com 70 anos ou mais. Sem qualquer previsão, por exemplo, para o fim de semana ou para a semana que vem. Segundo a prefeitura, o motivo é o número baixo de doses que tem sido repassado pelo estado. Nos últimos dias, a cidade da Região dos Lagos afirma que abriu processo para tentar comprar 80 mil doses de vacinas, mas não revelou detalhes sobre o trâmite. O número chama atenção, pois equivale a mais que o dobro da população local, segundo o censo do IBGE de 2020 (34.477 pessoas).

O município de Búzios afirma que, nos últimos 15 dias, duas remessas recebidas somaram 320 doses entre primeiras e segundas doses dos imunizantes. Os números divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, divergem. Segundo a SES, só na última remessa desta sexta-feira, entre primeiras e segundas doses, foram enviadas 440 doses da Oxford-AstraZeneca e 370 da CoronaVac: 810 no total.

Na última quarta-feira, a jornalista e professora Mariana Muller foi como acompanhante de uma idosa até Unidade Básica de Saúde (UBS) Ferradura, em Búzios, onde mora. No local, foi informada de que não havia doses disponíveis e que não era possível informar quando a imunização seria retomada. Mesmo com a falta de atendimento no posto, Mariana ficou ainda mais confusa quando ouviu no rádio que a campanha de vacinação contra a Covid-19 continuava.

— A vacinação está suspensa porque não tem vacina. E na rádio anunciava que era para ir até o posto que teria vacina. A enfermeira que fica na porta falou: "não temos vacina, e não tem prazo de chegada de vacina" — contou a moradora.

A Secretaria Estadual de Saúde reforçou que a redistribuição das vacinas é feita de forma proporcional entre os municípios, e que o quantitativo a ser recebido pelo estado é definido pelo Ministério da Saúde. Segundo a SES, as 431,5 mil doses foram distribuídas em seis horas na última sexta, sendo 195 mil de CoronaVac e 236.500 de Oxford/Astrazeneca. Rio, Niterói, São Gonçalo e Maricá retiraram as doses em caminhões e vans, na Coordenação Geral de Armazenagem (CGA), em Niterói. Já para os outros 88 municípios, a distribuição foi realizada por cinco helicópteros: dois do governo, um da Polícia Civil, um do Corpo de Bombeiros e um da Polícia Militar.

Até esta segunda-feira, o estado afirma que 1.630.472 pessoas foram vacinadas, tendo 461.426 já tomado a segunda dose.

Conforme definido no Calendário Unificado de Vacinação, decretado pelo governador em exercício, Cláudio Castro, essa semana municípios do estado também começam a vacinar agentes das forças de segurança, como policiais militares, civis, federais, guardas municipais, oficiais de Justiça etc. Na Região Metropolitana, a imunização destes profissionais deve começar na próxima quarta-feira (14).