Covid-19: Comitê científico do Rio endossa adiamento dos desfiles de carnaval, mas veta novas restrições

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RIO — Em reunião na manhã desta segunda-feira, o Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC), que assessora a prefeitura do Rio, endossou a decisão conjunta dos municípios do Rio e de São Paulo de adiar a realização dos desfiles de carnaval para abril, informa o infectologista Alberto Chebabo, membro do grupo. O conselho vetou, contudo, o estabelecimento de novas restrições para combater o contágio do coronavírus, cuja nova variante, Ômicron, provoca uma explosão de casos e internações na cidade. O CEEC também discutiu o uso de máscaras ao ar livre, que permanece facultativo.

Segundo Chebabo, o posicionamento dos especialistas considerou o impacto simultâneo do carnaval e da Covid-19 sobre os hospitais.

— Entendemos que o cenário atual representa um risco para a rede hospitalar, que ainda vê as consequências do grande número de casos e internações. É bastante provável que no carnaval já tenhamos um número menor de casos e uma redução na transmissão, mas ainda assim teremos o impacto nos hospitais. O impacto que o carnaval sempre causa sobre a rede de saúde se sobreporia ao impacto da Covid, por isso não há clima para a realização dos desfiles agora, mesmo que a gente saiba que a transmissão provavelmente já vai estar menor em fevereiro — diz o infectologista.

Por outro lado, o comitê optou por não recomendar o retorno de antigas restrições contra a transmissão da doença neste momento. Na avaliação do grupo, elas não teriam consequências significativas em termos de dimunição do contágio, dado o alto nível de transmissibilidade da Ômicron.

— Recomendamos que todos, em especial os grupos mais vulneráveis, como os idosos e imunossuprimidos, evitem aglomerações desnecessárias, mas não recomendamos nenhuma restrição específica. A gente considera que as restrições não vão ter grande impacto, pois a nova variante é altamente transmissível. Além disso, em termos de internações na rede hospitalar, não temos hoje o mesmo cenário que tivemos ao longo da pandemia. O número de pacientes em UTI, por exemplo, é muito menor do que a gente via anteriormente, e a maior parte dessas pessoas não está vacinada — afirma Chebabo.

A mais recente atualização do mapa de risco da Covid-19 estadual, elaborado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), aponta que o Rio de Janeiro voltou a ter regiões com bandeira laranja, indicativa de nível moderado, depois de aproximadamente um mês. Entre essas regiões está a Metropolitana I, que contém a capital. Segundo orientação da SES, municípios com bandeira laranja devem proibir eventos com aglomeração. A Secretaria municipal de Saúde (SMS), no entanto, ainda não esclareceu se seguirá a recomendação do governo estadual.

De acordo com Chebabo, o CEEC também reforçou a necessidade de cobrança da dose de reforço no âmbito do passaporte da vacina, mudança já implementada pela prefeitura na semana passada. Atualmente, o reforço é cobrado para todos aqueles com 50 anos ou mais e maiores de 18 anos que já completaram quatro meses desde a segunda dose.

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