Covid-19: Duque de Caxias tem vacinação para pessoas fora de grupo prioritário e falta de CoronaVac para segunda dose

Flavio Trindade
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RIO — A vacinação contra a Covid-19 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, segue, nesta terça-feira, dia 4, a rotina de problemas. Foi mais um dia de desrespeito às ordens das autoridades para seguir o Plano Nacional de Imunização (PNI). Nos postos montados no município, pessoas que não faziam parte de nenhum dos grupos prioritários estavam se vacinando. O prefeito da cidade, Washington Reis, já foi multado pelo Ministério Público Federal e teve os bens parcialmente bloqueados pela Justiça, mas a campanha continua sem alterações.

Nesta terça-feira foi montado um posto de vacinação, com doses da Oxford/AstraZeneca, no Centro Municipal de Saúde de Duque de Caxias (CMSDC). Conforme comunicado da prefeitura, divulgado nas redes sociais, o público-alvo era de pessoas com comorbidades de 50 anos ou mais, que devem apresentar atestado ou receita médica que comprove a condição médica. No entanto, o pintor Carlos Andre da Cruz, de 54 anos, foi ao posto e conseguiu ser imunizado.

— Não me pediram nada. Eu só mostrei minha identidade, perguntaram se eu tinha alguma doença, eu falei que tinha alguns problemas respiratórios e foi só isso. Não mostrei nada além da identidade. Eu passei aqui porque recebi mensagens e vi na internet que estavam vacinando, e eu moro perto. Agora não sei se poderia, mas estou aliviado por conseguir — disse.

Outra pessoa a ser imunizada sem apresentar documentos médicos atestando comorbidades foi a dona de casa Sandra Castro, de 58 anos. Ela também compareceu ao posto por indicação de conhecidos e recebeu a vacina.

— Eu vi quando começaram a vacinar pessoas de 57 anos, mas não sabia se ainda estavam. Aí me disseram que tinha vacinação por aqui hoje e vim. Me pediram identidade, aí esperei e fui vacinada. Eu estou feliz porque precisava muito. Queria poder rever minha família, sair, passear. É bom ter esse sentimento de proteção — contou.

No mesmo centro de saúde, pela manhã, uma fila de centenas de idosos se formou com todos em busca da segunda dose da CoronaVac. Muitos chegaram ao local ainda de madrugada, e a maioria já havia ultrapassado um mês do recebimento da primeira dose, não cumprindo o prazo máximo de 28 dias de intervalo entre as aplicações, conforme recomendado pelos profissionais de saúde.

A aposentada Maria da Penha Silva de Souza, de 65 anos, chegou no posto às quatro horas da manhã, acompanhada da filha Cintia da Penha para tentar a segunda dose, 35 dias depois da primeira. Após esperar por cinco horas, foram avisadas que não havia doses de CoronaVac.

— Ontem estavam aplicando a segunda dose aqui. Aí pela manhã disseram que teria 1.200 doses para os idosos, depois caiu para 400 e no final não teve nada. Minha mãe completou 35 dias da primeira vacina. É um desrespeito, uma falta total de compaixão com as pessoas. Acordei 3h30 da manhã para vir até aqui, e minha mãe sofrendo desse jeito — disse Cintia.

Desrespeito à ordem do STF

Em outro posto de vacinação montado na cidade, na sede da Secretaria Municipal de Educação, a prefeitura desrespeitou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski que suspendeu a liminar da Justiça do Rio que incluía professores e agentes de segurança nos grupos prioritários de vacinação. Profissionais da educação que atuam nas redes privadas e pública continuaram sendo atendidos normalmente com a primeira dose da Oxford/AstraZeneca.

Questionada, a prefeitura respondeu, em nota, que a Secretaria Municipal de Saúde manteve a programação já agendada para esta terça-feira, com a vacinação de primeira dose para os profissionais de educação que prestam serviço em Duque de Caxias e que não há programação de imunização para profissionais da educação nos próximos dias no município.

Já com relação à vacinação de idosos, acima de 60 anos, a pasta esclarece que o município já atingiu o percentual de 81,4% de pessoas imunizadas nessa faixa etária. Atualmente equipes vêm fazendo a busca daqueles com 60 anos ou mais, que não atenderam às convocações realizadas pelo município. O objetivo é alcançar idosos que ainda não foram atendidos.