Covid-19: 'é melhor o jovem pegar primeiro', diz Eduardo Bolsonaro em live

Em live, o parlamentar defendeu que os mais jovens saiam às ruas e retomem as atividades durante a pandemia. (Foto: Reprodução/Twitter)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou, em live nesta quarta-feira (20), que é “melhor” que as pessoas mais jovens sejam infectadas primeiro pelo novo coronavírus. O filho do presidente Jair Bolsonaro defendeu, em uma transmissão com o empresário Álvaro Garnero, que os jovens retornem ao trabalho e se posicionou contra as medidas de isolamento social.

“É consenso na classe média (sic), médica. Enfim, os infectologistas eles falam: a pandemia só vai passar depois que 60% a 70% das pessoas tiverem infectadas. Então meus caros, dos 200 milhões de brasileiros, 140 milhões vão pegar o Covid. Desses 140 milhões, é melhor que os jovens peguem primeiro”, afirmou Eduardo.

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A declaração do deputado é baseada na chamada “imunidade de rabanho” e profusamente repetida pelo presidente desde que a pandemia do novo coronavírus se instaurou no Brasil. No entanto, na avaliação do médico Sérgio Zanetta, sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, a tese de Bolsonaro é infundada e a classifica como uma “estratégia de destruição em massa".

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Na live, o parlamentar ainda argumenta que o sistema imunológico dos jovens mais resistente. “Então tem que soltar os jovens na rua para voltar a trabalhar. Segura os mais idosos”, afirma Eduardo. Um levantamento feito pelo site Poder 360º, com base em dados do Ministério da Saúde do dia 8 de maio, apontou que 30,8% das mortes registradas por Covid-19 ocorreram em pessoas com menos de 60 anos.

“O jeito que a gente está fazendo, de maneira geral no Brasil, a gente está segurando todo mundo e todo mundo já está desesperado. Então, depois, vai todo mundo pra rua ao mesmo tempo”, completa ele.

O deputado também deu como exemplos suas próprias avós ao falar sobre a letalidade da Covid-19 nos mais idosos, considerados como integrantes do grupo de risco da doença.

“É o que o presidente fala, desculpa trazer a má notícia para vocês, mas a realidade é: pessoas serão contaminadas, algumas delas morrerão. Isso vai acontecer, é lamentável, queríamos que não morresse nenhuma. Talvez as minhas avós, as duas são vivas, graças a Deus, mas já tem uma idade avançada. Mais de 80 anos uma, e a outra 93, 94. É...pode ser que pegue e venha a falecer, mas...que que a gente pode fazer?”, questionou Eduardo.

COVID NO BRASIL

O Ministério da Saúde atualizou para 18.859 o número de mortes em decorrência do novo coronavírus no Brasil nesta quarta-feira (20). Ao todo, também foram confirmados 291.579 casos da Covid-19 no país.

Foram registradas 888 novas mortes nas últimas 24 horas, além de 19.951 novos infectados, renovando pelo 2º dia seguido o recorde no número de casos. Na terça-feira (19), o Brasil teve o pior dia da pandemia, com 1.179 novas mortes e 17.408 novos casos, totalizando 17.971 óbitos e 271.628 casos de pessoas infectadas.