Covid-19: Estado do Rio segue em bandeira vermelha, de risco alto, conclui nota técnica do governo; entenda

Felipe Grinberg e Arthur Leal
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Divulgação

RIO — O governo do Rio divulgou, nesta sexta-feira, a última atualização do boletim quinzenal do Mapa de Risco da Covid-19, que mantém, não só o estado, como a Região Metropolitana do Rio (capital e Baixada Fluminense) na classificação de bandeira vermelha, que indica risco alto causado pela doença. A Região Serrana, que estava na bandeira vermelha (alto risco para a doença) na edição anterior do mapa, foi a que registrou a melhor evolução, passando direto para a bandeira amarela (baixo risco). A Região Norte Fluminense evoluiu da bandeira vermelha para a laranja (risco moderado), e a Região Metropolitana II (de Niterói, São Gonçalo e municípios vizinhos) melhorou da laranja para a amarela.

A análise compara a semana epidemiológica 50 (de 06 de dezembro a 12 de dezembro) com a 48 (de 22 a 28 de novembro). Os fatores que mais preocupam os cientistas seguem sendo a previsão de esgotamento de leitos de UTI e a taxa de testes positivos para Covid-19 no período. Além da chamada Região Metropolitana I, Noroeste e Baía de Ilha Grande ficaram na bandeira vermelha, e as regiões Médio Paraíba e Baixada Litorânea permaneceram na bandeira laranja. A única piora, de acordo com a nota, ocorreu na Região Centro-Sul, da laranja para a vermelha.

Só nesta sexta, o estado registrou 188 mortes e 1.517 novos casos de Covid-19, e chegou a 454.275 infectados e 26.480 vidas perdidas pela doença desde o início da pandemia, em março. Neste cenário, só na cidade do Rio, foram 1.156 novos casos de coronavírus (76% do total) e 111 mortes causadas pela doença (59%) em 24 horas.

De acordo com o painel da Secretaria Estadual de Saúde, há ocupação de 77% nos leitos de UTI em toda a rede estadual, e de 59% nas enfermarias. No entanto, a pressão de pacientes por vagas exclusivas para tratamento da doença fica mais clara quando observa-se o número de pessoas na fila de transferência para estes leitos. De acordo com o mesmo informativo, 196 pacientes esperam por um leito para coronavírus, sendo 112 para UTIs.

Recomendações da Bandeira Vermelha

As recomendações de isolamento social, de acordo com o governo, são orientadas de acordo com cada nível de risco, representado pelas bandeiras, que variam entre as cores roxa (risco muito alto), vermelha (risco alto), laranja (risco moderado), amarela (risco baixo) e verde (risco muito baixo). Veja quais são as recomendações ao governo do estado da bandeira vermelha. Nem todas são necessariamente cumpridas:

Casos suspeitos ou confirmados – Isolamento domiciliar e monitoramento de casos sintomáticos e contatos;Proteção de grupos vulneráveis – Distanciamento social, garantia de acesso às necessidades básicas, acesso eAcessibilidade aos serviços de saúde;Reforçar medidas contra a transmissão da Covid-19 nas unidades de saúde;Distância física, higiene e limpeza - Redução de contato, reforço em higiene e etiqueta respiratória;Fortalecer os processos de comunicação interna (entre os órgãos e profissionais) e comunicação externa (com o público).Evitar atividades que gerem aglomeração de pessoas;Suspensão de atividades escolares presenciais;Proibição de qualquer evento de aglomeração, conforme avaliação local;Adoção de distanciamento social no ambiente de trabalho, conforme avaliação local;Avaliar a suspensão de atividades econômicas não essenciais, com limite de acesso e tempo de uso dos clientes, conforme o risco no território;Avaliar a adequação de horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte público.Adoção das Medidas Básicas Transversais (isolamento domiciliar);Suspender as atividades econômicas não essenciais definidas pelo território, conforme avaliação local;Definir horários diferenciados nos setores econômicos para reduzir aglomeração nos sistemas de transporte públicos.

'Testagem em massa' atingiu 23 mil fluminenses

O governo estadual esclareceu que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) executa um pacote de medidas para enfrentamento à pandemia e que, entre os meses de novembro e dezembro, ampliou a rede dedicada ao tratamento da Covid-19 em 989 leitos, sendo 390 de UTI adulto e 599 de enfermaria nas unidades estaduais e a partir de incentivos do estado. A SES afirma ainda que deu início em 4 de dezembro ao programa de ampliação de testagem por RT-PCR, com abertura de quatro centros para diagnóstico precoce, onde estão sendo oferecidos 1.500 testes por dia. Até esta sexta-feira, 23.131 testes de RT-PCR foram feitos nas unidades.

O programa, diz o governo, é complementar à testagem de RT-PCR que já vem sendo realizada em unidades municipais de saúde e coordenada pela SES. Números divulgados pela pasta apontam que, desde o início da pandemia, já foram realizados mais de 406 mil testes. Só em novembro, foram mais de 98 mil exames, caracterizando um aumento de 74% em relação a outubro, numa parceria entre SES, COSEMS e Fiocruz. A Secretaria também repassou verbas de cofinanciamento aos municípios fluminenses para ações de combate à Covid-19, inclusive contemplando as parcelas em atraso.

Cada bandeira representa um nível de risco e um conjunto de recomendações de isolamento social, que variam entre as cores roxa (risco muito alto), vermelha (risco alto), laranja (risco moderado), amarela (risco baixo) e verde (risco muito baixo).

É importante ressaltar que as últimas semanas epidemiológicas do ano são impactadas pelos feriados nacionais e mudanças de gestão no âmbito municipal, refletindo em um menor registro das notificações. Assim, algumas regiões podem ter apresentado uma baixa notificação que ocasionou uma redução que não representa a realidade.