Covid-19: Fabricantes de vacinas aprovadas no Brasil dizem que não vão negociar com setor privado

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A nurse prepares a dose of China's Sinovac CoronaVac vaccine produced by Butantan, the largest vaccine producer in Brazil, at a vaccination centre against the novel coronavirus, COVID-19, mounted at the Public Planetarium in Rio de Janeiro, on March 31, 2021. (Photo by Mauro PIMENTEL / AFP) (Photo by MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
As farmacêuticas Pfizer, Janssen, AstraZeneca, Fiocruz e o Intituto Butantan afirmaram que priorizam o fornecimento de imunizantes para o SUS (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
  • Nenhuma das fabricantes de vacinas contra a Covid-19 aprovadas no Brasil pretende negociar a venda do produtor ao setor privado

  • Na terça (6), a Câmara aprovou o projeto 'fura-fila' que permite que a iniciativa privada compre vacinas antes do SUS

  • Veja respostas das farmacêuticas

Nenhuma das fabricantes de vacinas contra a Covid-19 aprovadas no Brasil pretende negociar a venda do produto para o setor privado. As farmacêuticas Pfizer, Janssen, AstraZeneca, Fiocruz e o Intituto Butantan afirmaram, nesta quarta-feira (7), que priorizam o fornecimento de imunizantes para o SUS (Sistema Único de Saúde). 

Na noite da última terça-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base de um projeto de lei que permite que a iniciativa privada compre vacinas e comece a imunização de seus funcionários antes do fim dos grupos prioritários definidos pelo SUS. 

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A proposta, que prevê a aquisição até de vacinas que não tenham aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda precisa passar pelo Senado e pela sanção presidencial.

As repostas foram enviadas pelas farmacêtucias, por nota, ao jornal o Estadão, e confirmadas pela reportagem do Yahoo! Notícias. Confira a seguir:

Vacina da Janssen

A nota da Janssen, da Johnson & Johnson, informa que a empresa tem acordo de compra antecipada com o Ministério da Saúde.

“Neste momento, o fornecimento será exclusivo para o governo federal, por meio do Programa Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19”

A empresa ainda destacou que não autoriza nenhuma pessoa física ou empresa a negociar em nome da Janssen com qualquer ente público ou privado.

Vacina da Pfizer

A Pfizer e a sua parceira BioNTech afirmaram entender que o imunizante contra a Covid-19 deve ser fornecido à população em geral.

“[Estamos compremetidas a] trabalhar em colaboração com os governos em todo o mundo para que a vacina seja uma opção na luta contra a pandemia, como parte dos programas nacionais de imunização”

Além disso, a empresa completou dizendo que "neste momento não temos como dar andamento a uma negociação de fornecimento para empresas privadas". 

The National Congress of Brazil. Building designed by Oscar niemeyer. It is composed in the Chamber of Deputies and the Federal Senate. Brasilia, Federal District - Brazil. September, 12, 2020.
Na noite da última terça-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base de um projeto de lei que permite que a iniciativa privada compre vacinas e comece a imunização de seus funcionários antes do fim dos grupos prioritários definidos pelo SUS (Foto: Via Getty Images)

Vacina da AstraZeneca

A farmacêutica britânica AstraZeneca diz que tem trabalhado "incansavelmente" para cumprir o "compromisso de acesso amplo e equitativo no fornecimento da vacina para o maior número possível de países". 

"Todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado ou para governos municipais e estaduais no Brasil".

O Covax Facillity é um consórcio de compra de imunizantes para países em desenvolvimento liderado pela (OMS) Organização Mundial da Saúde, no qual o Brasil faz parte.

Na semana passada, o diretor da OMS, Tedros Adhanom, declarou em reunião com parlamentares que não há como definir prazo para as 8 milhões de vacinas da Covax Facility chegarem ao Brasil. Previstas para maio, as doses do consórcio global devem atrasar por causa de problemas na produção da Índia e na Coreia do Sul.

Vacina da Oxford/AstraZeneca - Fiocruz

A Fiocruz, responsável por produzir a vacina Oxford/AstraZeneca no Brasil, ainda diz que toda a produção própria é destinada exclusivamente ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

Vacina CoronaVac - Instituto Butantan

O Instituto Butantan também diz que “trabalha para atender à demanda da rede pública de saúde”. O órgão paulista prevê entregar 100 milhões de doses da Coronavac até o fim de agosto. 

No Brasil, a maioria das doses aplicadas foram do imunizante, feito em parceria entre o Butantan e a chinesa Sinovac, sendo responsável pela vacinação de mais de 80% dos brasileiros que foram imunizados até o fim de março.

Vacinas que ainda não estão liberadas

A União Química, responsável pela produção da russa Sputnik V no Brasil, disse que o “atendimento ao setor privado depende da legislação, que está em discussão no Congresso neste momento, e da regulamentação da Anvisa e das autoridades sanitárias”. 

"Nós temos compromisso de atender às demandas do setor público e estamos concentrados nisso". 

A reportagem questionou a Precisa Medicamentos, que representa o imunizante Covaxin, da indiana Barath Biontech, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.

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