Covid: Sem cilindro de oxigênio, família passa madrugada bombeando ar manualmente para idosa em Manaus

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Joecy e Antônio (ambos sentados) estão internados com Covid-19 em Manaus; Idosa enfrenta drama por falta de oxigênio em unidade - Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Joecy e Antônio (ambos sentados) estão internados com Covid-19 em Manaus; Idosa enfrenta drama por falta de oxigênio em unidade - Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Joecy Coelho da Silva, de 83 anos, está internada por Covid-19 desde o último dia 7 de janeiro em Manaus. Com a capital vivendo um intenso colapso no sistema de saúde, com falta de cilindros de oxigênio em hospitais, a família de Joecy está recarregando os cilindros da parente por contra própria. A família da idosa então passou a noite bombeando ar manualmente.

Luis Queiros, 32 anos, neto da idosa contou ao UOL que foi a três estabelecimentos diferentes e ligou para mais de 40 na busca por oxigênio para sua avó. Ele relata o cenário de guerra vivido na capital amazonense.

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"Foi uma correria maluca. Fui em uma fábrica e havia uma aglomeração imensa. A gente esperou 1h30 e disseram que só iriam atender quem já havia deixado o cilindro, das pessoas que chegaram ao local às 5h", contou ao UOL.

Dentro desse panorama, a família optou por alugar um botijão de 2 metros cúbicos de oxigênio descarregado pelo valor de R$ 500. Apesar do alto valor, o cilindro é pequeno e o gás se esgota em menos de uma hora. Só na quarta-feira (13), a família diz ter recarregado três vezes o objeto, gastando mais R$ 450.

Foto: AP Foto/Edmar Barros
Foto: AP Foto/Edmar Barros

A situação é tão caótica que a família, durante as primeiras horas desta sexta-feira (15), decidiu passar a madrugada na unidade revezando para bombear manualmente o ar para a idosa. A medida aumenta o risco de contágio da Covid-19 para parentes.

"Eu posso entrar, mas estou evitando, estou dando suporte logístico. Falei com o meu irmão agora de noite e informaram para ele que a unidade de saúde conseguiu meio cilindro de oxigênio, mas que vai ser alternado com outro paciente", explicou Queiros ao UOL.

De acordo com o neto de Joecy, a idosa estava em uma sala dentro da unidade de saúde que, entre as sete pessoas internadas, quatro morreram nessa quinta-feira (14). Queiros diz que sua avó está debilitada e que a saturação de oxigênio dela chegou a 35%, quando o nível considerado adequado é acima de 90%.

O avô do publicitário, Antônio Pereira da Silva, 81 anos, também está internado por covid-19, mas em outra unidade, do outro lado da cidade. De acordo com o neto, a situação dele é menos grave, já que o homem varia entre 80% e 93% de saturação.

Ao UOL, o neto disse que a sexta-feira será novamente marcada por uma verdadeira maratona em busca de oxigênio pela capital amazonense. Queiros relata que estabelecimentos que possuem oxigênio estão cobrando R$ 600 reais para recarregar um botijão.

"Nessa hora estamos passando o cartão, fazendo o que dá, ninguém está medindo esforços. Mas o sentimento é de incapacidade", admite o neto ao UOL.

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