Covid-19: Fiocruz defende adoção de medidas de bloqueio para evitar permanência de níveis críticos em abril

O Globo
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RIO — O novo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz alerta sobre a possibilidade de a pandemia permanecer em níveis críticos no Brasil ao longo do mês de abril, o que prolongaria a crise sanitária e o colapso no sistema de saúde país afora. Por conta deste cenário, os pesquisadores responsáveis pelo estudo defendem a adoção ou a continuidade de medidas de bloqueio ou lockdown para conter a propagação do vírus.

A análise mostra que o vírus Sars-CoV-2 e suas variantes permanecem em circulação intensa em todo o país. Além disso, a sobrecarga dos hospitais, observada pela ocupação de leitos de UTI, também se mantêm alta. Dezenove estados e o Distrito Federal encontram-se com taxas de ocupação superiores a 90%.

De acordo com o documento, ao longo da semana epidemiológica 13 (de 28 de março a 3 de abril) houve uma aceleração na transmissão da Covid-19 no país e um aumento na taxa de letalidade, passando de 3,3% para 4,2%. Para os pesquisadores isto "pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais, num processo que vem sendo apontado como o colapso do sistema de saúde, não somente de hospitais". Segundo o estudo, este indicador se encontrava em torno de 2% no final de 2020.

Os pesquisadores apontam para a necessidade de medidas de restrição mais rígidas para as atividades não essenciais em todos estados, capitais e regiões de saúde que tenham uma taxa ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos.

Dentre as medidas de bloqueio propostas, estão a proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional; a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país; o toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana; o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos.

A análise destaca que para se alcançar os resultados esperados é preciso que essas medidas de bloqueio tenham pelo menos 14 dias de duração, sendo ampliada de acordo com a situação local. Na visão dos pesquisadores, é fundamental a adoção de medidas combinadas e complexas, assim como a coerência e a convergência dos poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário), bem como dos diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), em favor destas medidas de bloqueio.

Os resultados da investigação apontam ainda que é fundamental insistir nos esforços para o fortalecimento da rede de serviços de saúde, incluindo os diferentes níveis de atenção e de vigilância, com ampla testagem, compra e ampliação da produção de vacinas, e aceleração da vacinação.