Covid-19: Maior fornecedora de oxigênio diz ter avisado governo Bolsonaro sobre falta de cilindros em Manaus

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Foto: AP Photos/Edmar Barros
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Durante toda a quinta-feira (14) o Brasil assistiu estupefato ao caos sanitário vivido pelo Amazonas. O estado sofre com a falta de cilindros de oxigênio para tratamento de pacientes com Covid-19. A crise, contudo, poderia ter sido evitada. Ao menos é o que alega a multinacional White Martins, que diz ter avisado o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e a gestão estadual do governador Wilson Lima (PSC).

A empresa atua na fabricação de gases medicinais e realizada parte substancial do produto para a capital amazonense. Em comunicado enviado à TV Cultura, a White Martins pediu “solicitação formal de apoio logístico” ao Ministério da Saúde.

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"O crescimento imprevisível e exponencial da demanda no início de 2021 também levou a empresa a comunicar formalmente de forma imediata e transparente às autoridades sobre a alta complexidade do fornecimento de oxigênio medicinal para Manaus, solicitando apoio diante de um cenário extremamente desafiador", diz trecho do comunicado enviado à emissora.

A empresa diz que foram realizadas reuniões periódicas com o Comitê de Crise do Governo do Estado do Amazonas e com o Governo Federal. Nos encontros, a White Martins diz que solicitou formalmente “apoio logístico ao Ministério da Saúde".

Segundo a multinacional, o consumo de oxigênio em Manaus aumento cinco vezes nos últimos 15 dias, o que dá a dimensão do tamanho da explosão de casos de Covid-19 na cidade.

"Esse consumo equivale a quase o triplo da capacidade nominal de produção da unidade local da White Martins em Manaus (25 mil m3/dia) e segue crescendo fora de controle e qualquer previsibilidade [...] O consumo individual de boa parte dos hospitais do município já é mais do que o dobro da média de consumo dos maiores hospitais do país", alerta a empresa.

A White Martins alega ter atingido o “limite máximo” da capacidade de produção da planta na capital amazonense, além de ter aumentado a estocagem do produto em forma líquida. Ainda assim, a multinacional diz que os esforços não são suficientes para suprir a demanda atual, “crescente e jamais vista” na região.