Covid-19: Hospital na periferia de SP improvisa leitos de UTI em maternidade, diz sindicato

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Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Vila Penteado Hospital's ICU, in the Brasilandia neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Vila Penteado, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Brasilandia is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
O estado de São Paulo entrará na fase vermelha a partir do próximo sábado, 6, e ficará durante duas semanas no novo regime de restrição, dado o aumento de casos de coronavírus. As escolas poderão continuar abertas, sejam particulares ou das redes municipal e estadual (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

Funcionários do Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, periferia na Zona Leste de São Paulo, relataram, na noite desta quarta-feira (3), que pacientes suspeitos de Covid-19 estão sendo internados na maternidade do local. A unidade é referência no atendimento de coronavírus na região.

"Na noite passada tinha nove pacientes suspeitos de Covid na área da maternidade, separados apenas por um biombo”, denunciou uma auxíliar de enfermagem ao Sindicado dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep).

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Ainda de acordo a denúncia, funcionários da ala da Pediatria e UTI Neonatal foram escalados para receber os casos suspeitos de Covid-19 que chegaram no hospital e, por este motivo, começou a faltar atendimento na ala de maternidade.

Na quarta (3), a maternidade contava com 22 gestantes e, em todo o hospital, haviam 116 leitos de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados por pacientes infectados pela Covid-19, de acordo com dados da entidade.

Desde o começo de dezembro do ano passado, a ocupação dos leitos de UTI e internação para vítimas de coronavírus fica acima dos 90% na unidade. De acordo com o jornal El País, nesta semana, a média foi de 95% — isso por que o hospital remove pacientes para outros centros de referência para Covid-19 da rede municipal.

Ainda de acordo com a denúncia recebida pelo Sindsep, 11 pessoas morreram por Covid no Hospital Tide Setúbal, na última quarta-feira (3).

“Tem uma criança de 13 anos na contenção, não estava intubada mas não estava bem. Ficamos todos chateados porque ele pedia que o pessoal da enfermagem ficasse ao seu lado, segurasse sua mão. É muito difícil para um adulto ficar sem visita, agora imagine uma criança de 13 anos sozinha internada? E nesta manhã deve chegar a UTI do Tide mais uma menina de 13 anos, que está intubada, transferida de outro hospital”, relatou a funcionária do hospital.

Também na quarta-feira (3), o secretário municipal de Saúde Edson Aparecido informou que a fila por um leito de UTI em hospitais públicos municipais e estaduais na cidade para tratamento da Covid-19 na cidade de São Paulo chegou a 230 pessoas. Ainda há outras 220, com sintomas menos graves, esperando internações em enfermarias.

Retirada dos doentes após denúncia

Nesta quinta-feira (4), a entidade informou que a direção do Hospital Municipal Tide Setúbal iniciou a retirada dos doentes com Covid-19 da ala da maternidade.

"Estava cruzando fluxo entre os pacientes da Maternidade e da Covid. Acho que devido às denúncias e manifestação tomaram essa atitude de retirar os pacientes", disse um funcionário, que também não quer ser identificado ao sindicato.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informou que o Hospital Tide Setúbal "têm realizado remanejamento de leitos para ampliar o atendimento Covid-19 na unidade". Nesta semana, por exemplo, foram implantados 26 novos leitos de UTI, de acordo com a administração municipal.

Além disso, segundo a Prefeitura, dois pacientes precisaram ser trasnferidos "temporariamente e ficaram em quartos isolados".

"Na tarde desta quarta-feira (3), durante remanejamento de novos leitos, dois pacientes precisaram ser transferidos temporariamente e ficaram em dois quartos isolados, sem contato algum com outros pacientes. Pouco tempo depois eles foram encaminhados para a ala Covid-19 e os quartos receberam a limpeza especializada para desinfecção. Nesta quinta-feira, 4, o Hospital Municipal Tide Setúbal está com 72% de ocupação".

Piores semanas da pandemia

São Paulo vive a pior semana desde o início da pandemia. Nesta terça-feira (2), o estado registrou o maior número de mortes pelo coronavírus desde o início da pandemia. Foram 468 óbitos em decorrência, segundo dados da Secretaria da Saúde do estado. Com isso, São Paulo soma 60.014 mortes desde que a pandemia chegou ao Brasil.

O estado de São Paulo entrará na fase vermelha a partir do próximo sábado, 6, e ficará durante duas semanas no novo regime de restrição, dado o aumento de casos de coronavírus. As escolas poderão continuar abertas, sejam particulares ou das redes municipal e estadual.

Nessa situação, apenas atividades essenciais podem permanecer abertas, como farmácias, mercados, padarias, açougues, postos de combustível, lavanderias, transporte público, atividades religiosas, hotéis, bancos, pet shops e serviços de entregas e delivery. Ao mesmo tempo, continua em vigor o toque de recolher em todo o estado, mas agora entre 20h e 5h.

"Vamos enfrentar as duas piores semanas da pandemia desde o início da doença no Brasil. É a triste realidade de quem não tem comando", declarou o governador João Doria (PSDB), em coletiva de imprensa nesta quarta. "Fico angustiado de ver vidas perdidas a cada dia, pessoas que morrem diariamente em São Paulo e em todo o Brasil."

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