Covid-19: Isolamento social fica abaixo de 50% no Rio; na Tijuca, índice fica em apenas 15%

Thaís Sousa
Dono de um pub na Zona Norte, Jader não ficou em casa um dia sequer

RIO — A rotina do administrador de empresas Ugo Passos, de 37 anos, não é mais a mesma desde o início da pandemia, quando passou dois meses inteiros em casa. O trabalho totalmente remoto e a ausência de visitas cansou, e Ugo se permitiu um pouco mais. Encontrou pontualmente amigos, que também não têm saído de casa, e tomou coragem para visitar a mãe, apesar do receio, mas mantendo algum distanciamento. A situação dele é parecida com a de muitos cariocas que reconhecem a importância do isolamento social para conter a proliferação do novo coronavírus, mas que nos últimos tempos passaram mais tempo fora da casa.

— Ficar preso na quarentena tem os seus altos e baixos. Posso dizer que foi muito produtivo. Tinha acabado de me mudar e consegui fazer muitas coisas em casa. Ocupou a cabeça. Mas não aguento mais — admite.

Dados da CyberLab mostram que na última quinzena, a taxa média de isolamento na cidade do Rio foi de 47%. A empresa faz uma contagem automática das pessoas que aparecem em imagens captadas pelas 400 câmeras de monitoramento da prefeitura nas ruas do município.

Na Tijuca, um dos bairros com menor índice de distanciamento, a média foi de 15%. Mas, além dos que flexibilizam, há quem não pode ficar em casa, pois precisa trabalhar na pandemia. É o caso do o empresário Jader Veríssimo, de 38 anos. Dono do Centro Cultural Smoke Lounge, na Rua Ibituruna, ele não não conseguiu ficar em casa um dia sequer. Para salvar o negócio, que funciona como tabacaria e casa de shows, ele precisou tocar o serviço de entregas.

— Não tenho circulado pela cidade. Minha rotina é controlada — garante o empresário, que, apesar de temer a flexibilização, espera com ansiedade pelo momento em que vai reabrir o negócio como pub e para shows.

O epidemiologista e pesquisador do Instituto de Medicina Social da UERJ, Mario Roberto Dal Poz, diz que a flexibilização sem orientações claras sobre a gravidade do momento está levando a população a acreditar que a situação voltou ao normal. No entanto, nas últimas duas semanas, a média móvel de óbitos na cidade ficou acima de 50:

— A tendência é relaxar. As pessoas não estão seguindo uma rotina na qual os processos de controle de distanciamento ocorram.

Para Dal Poz, as mortes na cidadea, apesar de estáveis, estão num patamar elevado.

— Não é que tenha agravado, mas a manutenção desse patamar é preocupante. A flexibilização está mantendo esse patamar e tudo indica que vamos prolongá-lo por muito tempo — observou.

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