Covid-19: média móvel de mortes cresce em 14 estados, e a de casos, em 20 unidades da federação, diz boletim

Bruno Alfano
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Foto: Pedro Teixeira/12.09.2020
Foto: Pedro Teixeira/12.09.2020

O Brasil registrou nesta terça-feira 38.382 novos casos e 754 novas mortes por coronavírus nas últimas 24 horas. Até agora, foram confirmados 5.947.384 casos e 167.497 vidas perdidas desde o princípio da pandemia, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

A iniciativa é formada por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até às 20h. Ela foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Já a média móvel de mortes, também verificada pelo boletim, foi de 584. Essa é a maior marca dos últimos 38 dias. É um crescimento de 49% em relação a 15 dias. A média móvel de casos ficou em 28.340, 71% acima do que há duas semanas.

A alta na média móvel pode ter sido influenciada pelo represamento na divulgação dos dados por alguns estados, especialmente no número de mortes, que ocorreu entre os dias 6 e 10 de novembro.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Além do Distrito Federal, 19 estados apresentaram crescimento na média móvel de casos: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Só houve queda em Roraima e no Piauí.

O Paraná é o estado com a maior variação da média móvel de casos em relação a 14 dias atrás: 285%, o que significa que o número é quase quatro vezes maior. Ele é seguido por Acre (164%), Ceará (119%), Mato Grosso (106%), Rio de Janeiro (103%) e São Paulo (97%).

Já na média móvel de mortes, são 14 estados apresentando crescimento: Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Tocantins. Só em seis caíram: Acre, Alagoas, Amazonas, Paraíba, Piauí e Sergipe.

E a maior variação na média móvel de mortes é no Amapá (160%), seguido de Mato Grosso (118%), Paraná (97%), Rio de Janeiro (88%), Minas Gerais (89%), Rio Grande do Norte (81%), Tocantins (85%) e São Paulo (71%).

O governo de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira, um aumento de 18% nas internações por Covid-19 em todo o estado, em hospitais públicos e privados. Na semana passada, uma reportagem do GLOBO já havia demonstrado a preocupação de especialistas em relação ao salto de casos suspeitos da doença e sobre uma provável segunda onda em SP.

Na 46ª semana epidemiológica (semana passada), eram 859 pessoas internadas. Na 47ª (semana em curso), o número de hospitalizados em todo o estado passou para 1.009. O aumento das internações e o "apagão" de dados do coronavírus em função de uma pane no sistema do Ministério da Saúde fizeram com que o governo paulista adiasse a reclassificação do estado no Plano São Paulo.

Em outubro, 76% do estado deixou a fase amarela e avançou para a verde, o que permitiu mais medidas de flexibilização. Nesta segunda, explicou o governo, a fase verde poderia atingir até 90% do estado, mas a decisão é de adiar a avaliação para 30 de novembro.

A taxa média de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil foi de 1,1 na última semana, estima o Imperial College de Londres em levantamento divulgado nesta terça-feira. Segundo números da universidade britânica, referentes ao intervalo encerrado na última segunda-feira, o índice brasileiro cresceu 0,33 e voltou praticamente ao mesmo patamar de duas semanas atrás. O avanço do novo coronavírus sugere que o país saiu mais uma vez da tendência de desaceleração do patógeno.

O atual índice do Rt, também chamado de R0, indica que cada 100 pessoas contaminadas contagiam outras 110. A taxa de contágio é uma das principais referênciais para acompanhar a evolução epidêmica do Sars-CoV-2 no Brasil. Quando abaixo de um, o índice indica tendência de estabilização.

Uma segunda onda não é descartada pelos pesquisadores brasileiros. E uma eventual vacinação vai demorar acontecer.

A farmacêutica americana Moderna anunciou que sua vacina contra o coronavírus é 94,5% eficaz. A informação, uma notícia positiva na corrida pelo imunizante contra a Covid-19, foi dada após uma análise inicial dos resultados do estudo, que segue na Fase 3, a final.

Os pesquisadores informaram ainda que os resultados foram melhores do que eles 'ousavam imaginar', mas que a vacina provavelmente não estará disponível em larga escala antes de março.

A Moderna é a segunda empresa ocidental a relatar dados preliminares sobre uma vacina aparentemente bem-sucedida, oferecendo esperança em uma pandemia que infectou mais de 53 milhões de pessoas em todo o mundo e matou mais de 1,2 milhão. A Pfizer, em colaboração com a BioNTech, foi a primeira, relatando na semana passada que sua vacina era mais de 90% eficaz.