Covid-19: mesmo com registro de mortes atrasadas, média móvel segue abaixo de 400 pelo 2º dia seguido

Bruno Alfano
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Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO — O Brasil registrou nesta quarta-feira 23.815 novos casos e 622 mortes nas últimas 24 horas de Covid-19. Com isso, o país tem 5.590.941 infectados e 161.170 vidas perdidas desde o começo da pandemia, segundo o boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa.

O número total de mortes registradas nas últimas 24 horas é o maior dos últimos 15 dias. Isso significa que houve um represamento dos dados no fim de semana e no feriado da última segunda-feira.

Mesmo assim, a média móvel ficou em 384. Este é o segundo dia consecutivo que a marca fica abaixo de 400.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número de mortes do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o "ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Os números desta quarta-feira não incluem os dados do Amapá, que vive um apagão elétrico nas últimas 24 horas.

O consórcio de veículos de imprensa é formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até às 20h.

A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

A Dinamarca anunciou esta quarta-feira que vai sacrificar 17 milhões de visons (animais semelhantes a doninhas criados em fazendas para fabricação de casacos e outras peças de vestuário de pele) para evitar que uma nova mutação do coronavírus Sars-CoV-2 prejudique o desenvolvimento de vacinas.

Um estudo preliminar revelou que a mutação descoberta no norte da Dinamarca impede que pessoas com Covid-19 produzam anticorpos. O caso reforça o temor de que o coronavírus possa se espalhar em animais, o que dificultaria o combate do coronavírus. O vison também está presente em locais como EUA, Espanha e Holanda.

Kaare Molbak, um dos mais respeitados epidemiologistas da Dinamarca, disse que a decisão do governo de sacrificar todos os visons é acertada porque “no pior cenário, a pandemia poderia ter um recomeço, a partir da Dinamarca”.

O número de reprodução do coronavírus, o valor R que se refere à taxa de transmissão do vírus, subiu um pouco no Brasil em relação à semana passada e voltou a ficar acima do limiar epidêmico, em 1,01.

Segundo o Centro Global de Análise para Doenças Infecciosas de Londres, que estima o número R para todos os países do mundo, o valor representa uma leve oscilação em relação à semana passada, quando o território brasileiro estava com R em 0,98.

A oscilação está dentro da margem de erro da estimativa, que é feita em cima do número bruto de mortes reportado por cada país. Ela indica, porém, que o país cruzou de novo a linha divisória entre o que seria uma epidemia sustentável ou um surto que caminha para se extinguir.

O valor R representa essencialmente o número de pessoas que cada infectado pelo coronavírus reinfecta. Quando R é igual a 2, cada vítima contaminada com o vírus o transmite para outras duas. Quando está em 1, a epidemia mantém seu tamanho. Quando está abaixo de 1, o surto começa a minguar.