Covid-19: Mortes de profissionais do sistema prisional crescem quase 500% em 2021

Redação Notícias
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MANAUS, BRAZIL - FEBRUARY 17:  Female inmates gather at the Anisio Jobim penitentiary complex on February 17, 2016 in Manaus, Brazil. The men's section of the prison holds over 1,200 inmates, more than twice as many as it was designed for. Brazil now holds the fourth-largest prison population in the world, behind the U.S., Russia and China, with the number of Brazilians behind bars nearly doubling in the past decade. The prison system currently holds more than 600,000 inmates, 61 percent over capacity, according to Human Rights Watch.  (Photo by Mario Tama/Getty Images)
De acordo com o monitoramento, estabelecimentos do sistema prisional e unidades do sistema socioeducativo já contabilizam um total de 78.029 casos de Covid-19 desde o início da pandemia (Foto: Mario Tama/Getty Images)
  • Número de mortes de profissionais do sistema prisional explodiu em 2021, registrando aumento de 487% nos últimos três meses

  • Foram 94 óbitos no último trimestre, contra 16 mortes entre outurbo de 2020 e janeiro de 2021

  • Levantamento do CNJ é o único que reúne dados sobre a categoria durante a pandemia do coronavírus

O número de mortes por Covid-19 entre profissionais dos sistemas prisional e socioeducativo explodiu em 2021. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi registrado aumento de 487% dos óbitos no últimos três meses em comparação ao trimestre anterior. 

Foram 94 novos óbitos nos últimos três meses, contra 16 mortes entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. Somente em março deste ano, 42 servidores e servidoras de estabelecimentos prisionais morreram em decorrência do coronavírus. Em unidades socioeducativas, o número total de óbitos no período saltou de 38 para 53.

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De acordo com o monitoramento, estabelecimentos do sistema prisional e unidades do sistema socioeducativo já contabilizam um total de 78.029 casos de Covid-19 desde o início da pandemia

A maioria das ocorrências são de pessoas presas. Foram oficialmente registradas 70.055 ocorrências da doença em unidades penais, sendo 51.974 entre pessoas presas e 18.081 entre as equipes.

Já são 322 óbitos nessas unidades — 159 entre pessoas em privação de liberdade e 163 entre funcionários. No socioeducativo, foram registrados 1.846 casos de contaminação entre adolescentes em privação de liberdade, além de 6.128 entre funcionários, com 53 mortes. Neste caso, todas entre servidores e servidoras.

O acompanhamento sobre a situação da pandemia em estabelecimentos de privação de liberdade é realizado pelo CNJ, a partir de dados disponibilizados pelas autoridades locais, e é o único que reune informações sobre a situação desses profissionais na pandemia.

In this Feb. 6, 2017 photo, detainees crowd a holding cell at a police station near Manaus, Brazil. The beginning of the chain that feeds Brazilian gangs are improvised cells at police stations, where 10 percent of Brazil's more than 600,000 inmates await trial. (AP Photo/Felipe Dana)
A maioria das ocorrências são de pessoas presas. Foram oficialmente registradas 70.055 ocorrências da doença em unidades penais, sendo 51.974 entre pessoas presas e 18.081 entre as equipes (Foto: AP Photo/Felipe Dana)

Poucos testes no sistema prisional

Segundo o CNJ, a testagem para identificação da doença já foi aplicada em 274.939 pessoas presas e em 69.272 profissionais dessas unidades — além de outros 16.602 exames realizados em unidades do estado do Ceará, que não distinguiu a que segmento foram destinados.

No socioeducativo, a testagem para a detecção da doença foi realizada em 20.796 adolescentes privados de liberdade, além de 24.665 servidores e servidoras, em estabelecimentos de 24 estados. 

Embora os números apontem que ao longo da última quinzena houve um incremento de 4,5% na realização de exames sobre Covid-19 em pessoas em estabelecimentos prisionais, a testagem ainda não cobre a maioria do sistema.

Considerando presos em estabelecimentos penais e presos detidos em outras carceragens, o Infopen 2019 aponta que o Brasil tem uma população prisional de 773.151 pessoas privadas de liberdade em todos os regimes.

Mortes de profissionais de saúde crescem mais de 25% 

Não é só no sistemas prisional e socioeducativo que as mortes na pandemia aumentaram. Ao menos 5.789 profissionais de saúde morreram de março de 2020 até fevereiro de 2021. O número representa um aumento de óbitos de 25,9% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 3.571 mortes.

De acordo com a Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), que fez o levantamento dos números, a alta é consequência direta dos desafios enfrentados por esses trabalhadores no combate à pandemia do coronavírus.

Vacinação em São Paulo

A partir desta segunda-feira (5), a cidade de São Paulo começou a vacinar profissionais de saúde a partir dos 52 anos contra a covid-19. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, serão imunizadas cerca de 10 mil pessoas.

Estão incluídos profissionais de saúde, como:

  • Médicos

  • Enfermeiros

  • Técnicos e auxiliares

  • Nutricionistas

  • Fisioterapeutas

  • Terapeutas ocupacionais

  • Biólogos

  • Biomédicos e técnicos de laboratórios que façam exames de covid-19

  • Farmacêuticos e técnicos de farmácias

  • Odontólogos e técnicos de saúde bucal

  • Fonoaudiólogos

  • Psicólogos

  • Assistentes sociais

  • Profissionais de educação física

  • Médicos veterinários

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que, mesmo após a vacinação, é necessário manter o distanciamento social, usar máscaras e fazer a higiene das mãos. A vacinação acontece nas 468 Unidades Básicas de Saúde da capital, nos 19 postos drive-thru, AMAs com UBS integrada e centros-escola.