Covid-19: Movimento continua intenso nas ruas da Zona Oeste, apesar de bloqueios parciais da prefeitura

Letícia Lopes

RIO — Quatro dias após as medidas de lockdown parcial para conter o avanço do coronavírus começarem a valer no calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste, com acessos fechados por grades e trânsito livre apenas para trabalhadores de serviços essenciais, do outro lado do bairro, a movimentação neste domingo (10) foi intensa.

Já são 282 casos da Covid-19 em Campo Grande, com 58 óbitos. Na feira que acontece semanalmente, aos domingos, a maioria dos clientes e feirantes usavam máscaras, mas o espaço restrito entre as barracas de frutas, legumes e hortaliças dificultava que as recomendações de 2 metros de distância mínima entre as pessoas fossem respeitadas.

Em Sepetiba, onde a Secretaria municipal de Saúde contabiliza 24 casos da doença e 9 mortes, um grupo de cerca de vinte pessoas estava reunido na manhã deste domingo (10) em um pequeno torneio de futebol na areia da praia. Enquanto os times se revezavam nas partidas, com alguns jogadores usando máscaras, os jogos eram acompanhados por outro grupo que bebia reunido em um quiosque da orla.

Na vizinha Santa Cruz, no início da manhã o prefeito Marcelo Crivella pediu que a população fique em casa. Ao lado da esposa, Sylvia Jane Hodge Crivella, e da secretária municipal de Saúde Beatriz Busch, o prefeito inaugurou um tomógrafo na Policlínica Lincoln de Freitas. O equipamento é um dos 15 aparelhos que foram importados da China, ao custo de US$ 900 mil cada.

— As pessoas que já têm esses sintomas nós estamos pedindo, pelo grau de contaminação e pelo grau da doença, que venham a um posto de saúde da prefeitura imediatamente, e aí sejam encaminhadas, se for o caso, para a tomografia. Melhor que o teste é a gente ver o estado do pulmão daquele paciente — disse o prefeito.

Neste sábado (09), Crivella inaugurou outro equipamento na Policlínica Guilherme da Silveira, em Bangu. Segundo ele, o aparelho tem tecnologia de ponta para atender, em média, cem pessoas por dia. Na ocasião, o prefeito disse que poderá estender a restrição a áreas de Jacarepaguá e Madureira nos próximos dias se o intenso movimento de pessoas nas ruas continuar.

— O lockdown no Rio está cirúrgico. Se não melhorar até semana que vem, vai ter em Jacarepaguá e Madureira e por aí vai. Estamos indo aonde tem aglomeração e nos baseando nos números de óbitos e do disque-aglomeração, que tem recebido cerca de mil ligações por dia.