Covid-19: MPF investiga uso irregular de proxalutamida em mais um hospital do Rio Grande do Sul

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RIO – O Ministério Público Federal (MPF) do Rio Grande do Sul abriu inquérito civil público para investigar o uso irregular de proxalutamida no tratamento de pacientes com Covid-19. A droga experimental foi criada para combater o câncer de próstata, mas foi testada contra o coronavírus. O alvo da apuração é o Hospital Arcanjo São Miguel, em Gramado. A informação é do jornal Zero Hora.

O MPF suspeita de que o experimento realizado em Gramado faça parte de um estudo que vinha sendo feito no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre. Este último também tem sido investigado pelos procuradores.

A droga experimental contra o câncer de próstata, no tratamento da Covid-19.

A iniciativa do MPF partiu de uma entrevista concedida por Slaviero à uma rádio, em março deste ano. Na ocasião, o superintendente mencionou que o hospital realizava uma pesquisa que envolvia a proxalutamida. O estudo teria durado 20 dias e encerrado em 17 de março.

Na mesma entrevista, Slaviero afirmou que ainda não era possível ter certeza do resultado do estudo. Mas adiantou que tinha a "impressão" de que alguns pacientes tiveram melhora após o tratamento com a droga.

Procurado pelo GLOBO, Slaviero não se manifestou até a publicação desta reportagem.

De acordo com o Zero Hora, o procurador da República Fabiano de Moraes solicitou em 6 de setembro as informações sobre o ensaio clínico. O pedido foi encaminhado ao superintendente do hospital, Márcio Slaviero.

Também foram requeridas as autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para a realização do estudo. Esses documentos são obrigatórios para a liberação de pesquisas que envolvam seres humanos no Brasil.

A Conep informou que não havia qualquer ensaio clínico autorizado para ser feito no Rio Grande do Sul. Segundo o Zero Hora, o conselho afirmou que apenas um estudo em Brasília tinha recebido a permissão, mas foi suspenso provisoriamente em maio e definitivamente em setembro.

Em 2 de setembro, a Anvisa determinou a suspensão cautelar do uso e da importação da proxalutamida no Brasil. A decisão foi tomada por unanimidade pelos diretores da agência, incluindo o diretor-presidente, Antonio Barra Torres.

O medicamento também foi testado em hospitais do Amazonas. O GLOBO publicou três reportagens que mostram inconsistências e suspeitas de fraude em ensaio clínico da proxalutamida, no estado. No entanto, uma decisão do juiz Manuel Amaro de Lima, da 3ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho do Amazonas, ordenou a retirada do conteúdo do site.

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