Covid-19: Niterói vai lançar site para dar transparência ao plano de transição

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NITERÓI - A fim de dar mais transparência à divulgação de dados que sustentam os 12 indicadores de orientação do plano de transição gradual da cidade para o novo normal, a prefeitura lançará um site. Ainda sem data para entrar no ar, nele haverá atualizações semanais que incluem informações relacionadas à velocidade da propagação da Covid-19 e a taxa de ocupação de leitos em Niterói.

O anúncio, feito pelo secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, em audiência pública virtual realizada pela Câmara Municipal, na segunda-feira, foi uma resposta a pressões de parlamentares da oposição e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para terem acesso a informações detalhadas.

De acordo com Oliveira, no novo ambiente virtual ficará claro cada item que compõe os indicadores de orientação para a mudança de cores das bandeiras que definem a flexibilização do isolamento.

— Estamos fazendo todos os esforços para lançá-lo o mais rápido possível. Como prevê o decreto do plano de transição, a atualização será semanal, às segundas-feiras, após avaliação do comitê técnico aos domingos. Mas o comitê recebe o painel diariamente — explica o secretário.

Ocupação de leitos

Sem dar números precisos dos leitos existentes em Niterói, Oliveira diz que, na semana passada, a taxa de ocupação para Covid-19 ficou entre 65% e 70% na rede particular e entre 70% e 75% nos hospitais municipais, que têm previsão de expansão.

— O plano de transição prevê que 55% do peso dos indicadores estão relacionados à velocidade da propagação da doença e a como a epidemia se comporta e que 45% estão ligados à capacidade de atendimento. Temos cumprido o cronograma e não temos situação de colapso nem de pré-colapso na retaguarda hospitalar — garante o secretário. — Estamos abrindo novos leitos de acordo com a necessidade, apesar de termos as dificuldades que todos os municípios e estados têm com relação à compra de aparelhos.

Avaliação paralela

Presidente da Comissão de Saúde e Bem-Estar da Câmara, o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) propôs a formação de uma equipe técnica paralela à do governo, já aprovada na audiência pública, para também acompanhar os indicadores que orientam a flexibilização do isolamento.

— A audiência demonstrou que ainda existem muitas dúvidas com relação à possibilidade de flexibilização do isolamento. Não dá para a prefeitura dizer que vai mudar para uma bandeira afirmando que os indicadores melhoraram sem termos acesso concreto aos dados que são usados para alcançar esses índices. A criação dessa equipe técnica no âmbito do parlamento não demonstra desconfiança em relação à equipe do Executivo, mas é um dever nosso tomar medidas de análise e acompanhamento dos dados — destaca o vereador.


Panorama da UFF

Em nota técnica publicada na última segunda-feira, o comitê técnico científico consultivo da prefeitura, que conta com dois membros da UFF, um da UFRJ e um da Fiocruz, avaliou o plano de transição gradual:

“Niterói hoje apresenta os melhores indicadores de controle da pandemia, atenção às vítimas da Covid-19 e mitigação dos impactos econômicos do fenômeno. Por esta razão, o comitê entende que existam elementos seguros que embasaram a construção do plano e que é fundamental que haja um acompanhamento diário na evolução dos casos para detectar-se precocemente uma eventual tendência na elevação da curva. Caso isto seja detectado, deve-se imediatamente reavaliar a necessidade de aumentar as medidas restritivas”, diz a nota.

Enquanto o levantamento municipal não é divulgado, o Departamento de Estatística da UFF utiliza dados da Secretaria estadual de Saúde (um pouco defasados em relação aos da prefeitura) para atualizar diariamente gráficos com a curva epidemiológica da Covid-19 na cidade e em municípios próximos. Na quinta-feira, o Panorama de Niterói do GET UFF mostrava que a cidade tinha 1.692 casos do novo coronavírus e 92 óbitos (veja o gráfico). Já o boletim da prefeitura, divulgado no mesmo dia, contabilizava 1.905 casos confirmados e 102 mortes.

Foco na cidade

O professor Wilson Calmon, integrante do GET UFF, diz que no panorama de Niterói são exibidos os dados primários dos boletins da Secretaria estadual de Saúde, que entram no sistema de forma automática.

— A ideia do portal é dar um foco para Niterói, mas colocando a cidade em perspectiva com municípios próximos. Se coletássemos os dados em cada prefeitura, a uniformização dessas informações já não seria tão boa, mesmo que as prefeituras tenham dados mais atualizados. A secretaria estadual é mais estável com a disponibilização dos dados. No início da pandemia, por exemplo, nós atualizávamos os dados de Niterói por bairros com informações da prefeitura, mas desde o dia 11 esses dados estão defasados — afirma.

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