Covid-19: Nova Iguaçu fecha calçadão e endurece regras aos bancos por longas filas

Geraldo Ribeiro
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Regras mais rígidas passam a valer em Nova Iguaçu

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Regras mais rígidas passam a valer em Nova Iguaçu

RIO — Há 15 dias tentando resolver o problema na base do diálogo a Prefeitura de Nova Iguaçu resolveu endurecer com os bancos privados em relação às filas que se formam em frente às agências, mesmo com os riscos de contaminação pelo novo coronavirus, que já afetou 591 moradores da cidade, matando 66 pessoas. Segundo o secretário de Segurança Pública Igor Porto, os bancos que não se enquadrarem nas medidas contra aglomeração poderão ser multados em até R$ 10 mil por dia.

Nesta segunda-feira entrou em vigor o decreto emitido no fim de semana pelo prefeito Rogério Lisboa, determinando o fechamento das ruas do entorno do calçadão do centro da cidade ao tráfego de veículos e restringindo ainda mais a presença das pessoas nas ruas, instalando barreiras sanitárias na região central. Para passar pelo calçadão as pessoas terão agora de comprovar a necessidade de estarem ali. A princípio, pelo decreto, a medida vale até o dia 20 deste mês. O prazo poderá ser ampliado, se a prefeitura avaliar que há necessidade.

Apenas os estabelecimentos que prestam serviços considerados essenciais estão permitidos no calçadão, embora alguns tenham desrespeitado a norma nesse primeiro dia de fechamento. Entretanto, os bancos, cujo funcionamento é permitido, são a grande preocupação, por conta da aglomeração de clientes nas entradas.

Em frente à agencia do Banco Itaú localizada na Rua Otávio Tarquínio, que corta o calçadão, cerca de 300 pessoas aguardavam atendimento sem orientação em relação ao distanciamento necessário recomendado. No Santander, a fila era menor, mas igualmente desordenada. A aposentada Telma Maria Silva, 63 anos, reclama da demora no atendimento e da desorganização no Itaú.

— Estou na fila há duas horas e nenhum funcionário do banco apareceu para organizar. Não tem distanciamento. Era o mínimo que o banco poderia fazer para ajudar durante a pandemia — reclamou.

Segundo o secretário Igor Porto, a administração municipal conseguiu resolver o problema das filas com a Caixa Econômica Federal, que vem adotando o distanciamento e as medidas de biosegurança, mas o diálogo não está funcionando com as instituições privadas.

— As medidas partem de um planejamento coordenado feito com base nas 3.200 denúncias que recebemos, 70% delas sobre aglomerações de pessoas, com o calçadão representando 33% do volume. Criamos 13 pontos de bloqueio para reduzir o acesso, visando reduzir o contagio. Todas as pessoas que acessarem o interior do calçadão terão de apresentar documento comprobatório para se servirem do comercio essencial, inclusive quem precisa chegar até a estação ferroviária — afirma o secretário Igor Porto, explicando que 25 agentes da Secretaria de Segurança Pública estão atuando nas 13 barreiras instaladas na região central, com uso de cones e alambrado.

Procurado pelo Extra, o Banco Itaú informou que mapeou as agências que possuem maior fluxo de pessoas e contratou profissionais terceirizados aptos a organizar essa operação. "O banco está fazendo ainda o controle e acompanhamento da quantidade de pessoas que podem entrar nas agências, a fim de evitar aglomerações, além da instalação de demarcações visuais, para que as pessoas mantenham a distância mínima recomendada pelos órgãos competentes. Independentemente destas medidas, o banco reforça a orientação para que neste momento seus clientes deem preferência aos canais digitais e evitem ir às agências bancárias", disse a nota.

O Santander também foi procurado, mas ainda não respondeu.

Até agora nada do hospital de campanha

Projetado para funcionar com 500 leitos, 200 deles de CTI, a previsão era de que o hospital de campanha que está sendo instalado na Avenida Roberto Silveira entrasse em funcionamento esta semana. Mas, quem passa em frente ao canteiro de obras não vê o menor sinal de que isto vá acontecer nos próximos dias. A solução está sendo ampliar a estrutura do Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), o que foi feito entre os dias 7 e 8 de maio, com a abertura de mais 25 leitos para pacientes de covid-19.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, foram abertos 15 novos leitos em contêineres instalados no pátio da unidade e mais 10 foram adaptados no setor exclusivo da Covid-19 na parte interna do hospital, somando 75 leitos, sendo 30 de UTI. Ainda segundo a Secretaria de Saúde, 30% dos pacientes com suspeita da covid-19 tratados no HGNI são moradores de outros municípios.

Para o comerciante José Ailton Teles, 50 anos, já passou da hora da unidade de campanha anunciado pelo governo estadual entrar em funcionamento.

— Quero saber do hospital de campanha prometido. Até agora nada. Quero saber do prefeito qual é a cobrança que ele está fazendo para resolver isso. A placa está lá no valor de R$ 68 milhões, mas até agora nada de abrir — cobrou.

Nilópolis tem primeiro dia útil de fechamento do calçadão

Em Nilópolis, esta segunda-feira foi o primeiro dia útil de fechamento do calçadão. A medida foi adotada no sábado, em obediência a uma orientação do Ministério Público do Estado (MPRJ). O município já registrou 13 mortes pela Covid-19.

Foram fechadas por grades as entradas das avenidas Getúlio Vargas e Getúlio de Moura, bem como o acesso ao shopping e na parte de cima das escadas rolantes que dão acesso à estação de trens da SuperVia.

A entrada está sendo feita pela Rua Professor Alfredo Gonçalves Figueiras. É preciso seguir em direção à entrada lateral do calçadão.

A prefeitura de Nilópolis informou que , por enquanto, não há previsão de abertura do calçadão, onde estão tendo acesso apenas quem é funcionário ou precisa utilizar os serviços essenciais. A fiscalização está por conta dos agentes da Guarda Municipal, Ordem Pública e Fiscalização de Posturas.

Em Duque de Caxias, segundo município do estado com maior número de mortos pela Covid-19 (103) e 650 casos confirmados até esta segunda-feira, não há ainda nenhuma decisão em relação ao fechamento do calçadão. A prefeitura informou que está seguindo a orientação do governo do estado e avaliando a curva de crescimento de casos do novo coronavírus no município.

A prefeitura esclareceu ainda que "vem intensificando a fiscalização para fazer cumprir o decreto municipal que proíbe o funcionamento do comércio não essencial na cidade para evitar aglomerações e o contágio do Covid-19. A Prefeitura de Duque de Caxias reforça que está fazendo um grande esforço para combater a propagação da doença, cumprindo todas as medidas de prevenção", informou por meio de nota.