Covid-19: as novas vacinas não protegem mais que as originais contra as subvariantes em circulação, diz Harvard

As vacinas de reforço atualizadas para a Covid-19 não protegem mais contra as subvariantes Ômicron BA.4 e BA.5 do que os imunizantes originais que elas pretendem substituir. É o que apontam dois novos estudos de equipes de pesquisa das universidades de Harvard e Columbia.

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A pesquisa sugere que nossos corpos foram bem treinados para combater o vírus original, que surgiu em Wuhan, na China, e que as doses de reforço aumentam principalmente essa resposta. Tomar as vacinas adicionais ainda é uma forma importante de renovar a proteção, mesmo entre pessoas que já foram infectadas ou vacinadas.

Mas a esperança era que, ao ajustar a receita da vacina para incluir cepas atualmente em circulação da Ômicron, isso ajudasse a ampliar a imunidade contra essas subvariantes e talvez oferecesse proteção melhor e mais duradoura.

Quando os pesquisadores compararam as respostas imunológicas de pessoas que receberam uma dose de reforço da injeção original com pessoas que receberam os reforços bivalentes atualizados, elas pareciam iguais.

"Nós não vemos praticamente nenhuma diferença (entre os reforços antigos e os novos cerca de um mês após a injeção), disse em comunicado David Ho, professor de microbiologia e imunologia da Universidade de Columbia, cuja equipe foi autora de um dos estudos.

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Os imunologistas dizem que uma vacina contra duas cepas pode não ser melhor do que uma única vacina por causa de um fenômeno chamado imprinting imunológico. Os cientistas dizem que o imprinting pode complicar os esforços para ficar à frente de novas variantes à medida que o coronavírus continua a evoluir, e aumenta a urgência do desenvolvimento de novas tecnologias de vacinas para combater o vírus.

Quando a Food and Drug Administration (FDA, órgão semelhante à Anvisa) dos EUA emitiu autorizações de uso emergencial para novas vacinas bivalentes contra a Covid-19 da Pfizer e Moderna no final de agosto, o fez com base em estudos em camundongos e testes humanos anteriores com uma formulação de reforço de duas cepas diferente. Pouco se sabia sobre o quão protetores os reforços poderiam ser nas pessoas; dados completos de ensaios clínicos testando as vacinas bivalentes BA.4 e BA.5 em humanos ainda não foram divulgados.

Mas os dados de modelagem sugeriram que lançar os reforços em setembro poderia salvar dezenas de milhares de vidas se o país tivesse outro surto de inverno (que no hemisfério Norte começa em dezembro), então a FDA autorizou as injeções, antes dos resultados dos ensaios clínicos, para levá-las ao público mais rapidamente.