Covid-19: 'Passaporte da vacina' barra turistas desprevenidos no Rio, mas muitos deles aprovam a medida

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Pivô do adiamento da vigência do passaporte da vacina no Rio — cujo início estava originalmente marcada para o dia 1° de setembro —, o turismo foi um dos setores em que a adaptação aos decretos da prefeitura se mostrou mais difícil. Isso porque muitos turistas que foram apreciar os cartões-postais mais famosos da cidade nesta quarta-feira sequer sabiam da nova determinação.

Foi o caso da mineira Jéssica Alves, de 24 anos, e do inglês Josh Sparshott, da mesma idade. A amizade entre eles — que até dias atrás era exclusivamente virtual — descambou para algo mais nos últimos meses, e, depois de dois anos de conversa pela internet, o quase-casal escolheu o Rio de Janeiro como cenário de seus primeiros passeios. Eles esperavam dar uma volta no Bondinho do Pão de Açúcar nesta manhã quando, à porta do local, foram informados pela reportagem do GLOBO que teriam de apresentar comprovante de vacinação contra a Covid-19 para entrar.

— Fui pega de surpresa, mas foi muito importante. Me vacinei na minha cidade, Uberlândia. Lá, todo mundo quer correr com a vacinação, porque tivemos uma explosão de casos. Então compreendo e apoio a medida — diz a analista de negócios.

O Pão de Açúcar, que estava com movimentação reduzida nesta quarta, fixou uma mensagem na entrada da bilheteria com informações sobre o "passaporte da vacina". Jéssica e Josh conseguiram acessar, pelo celular, a documentação necessária para o cumprimento do requisito — ela, o registro digital do aplicativo ConecteSUS, e ele, o certificado internacional de vacinação, exigido também em aeroportos.

Morador de Londres, Josh se orgulha do fato de o Reino Unido ter sido o primeiro a aplicar a vacina contra a Covid-19 no mundo. No entanto, o Reino Unido optou por não adotar a exigência do "passaporte da vacina" nacionalmente, com o argumento de que as taxas de vacinação por lá já estão avançadas o bastante para que a medida seja dispensável.

— (O que o Rio fez) É a coisa certa a se fazer. Todo mundo está se vacinando, então você não quer chegar a um lugar e sentir que está no meio de um monte de não vacinados. Muita gente, especialmente pessoas que vêm para cá, estão sem vacina, e por isso é preciso garantir que todos que visitam essas atrações públicas estejam imunizados — diz o editor cinematográfico.

A nova regra pegou desprevenidos uma família e amigos em viagem a passeio no Rio. No guichê de atendimento do Corcovado, os turistas de Mato Grosso tentavam recuperar o valor dos ingressos, comprados na segunda-feira, antes de o decreto entrar em vigor.

A viagem à Cidade Maravilhosa, com chegada na última sexta-feira, foi desfrutada com passeios, apesar da falta da primeira dose da vacina de parte do grupo, vindos da cidade de Sinop, onde houve atraso na vacinação. Antes de voltarem a um posto do município para se imunizarem, partiram rumo ao Rio. Nesta manhã, o roteiro planejado foi encerrado mais cedo.

— Chegamos com o ingresso, para um passeio para cinco pessoas, e não pudemos entrar. Devido a morarmos no interior, lá acabou a vacina, há cerca de um mês, quando era a minha data. Além desse, teria mais um passeio hoje, no Pão de Açúcar. Vamos ter que cancelar — disse o turista de 32 anos que não quis se identificar. — Não sabíamos disso. Na hora de comprar, não falavam nada, ninguém avisou.

Apressado para voltar ao guichê de atendimento, ele completou:

— Vou ter que vacinar, se não daqui a pouco não entro nem no avião — riu.

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