COVID-19 priva Trump e Biden de campanhas pomposas

Por Charlotte PLANTIVE y Sebastian SMITH
·4 minuto de leitura

A pandemia do COVID-19 atingiu novamente a campanha presidencial dos Estados Unidos nesta quarta-feira (5): Joe Biden desistiu de aceitar sua indicação pessoalmente na convenção nacional democrata, enquanto Donald Trump cogita endossar as cores republicanas da própria Casa Branca.

Tradicionalmente, as convenções partidárias iniciam a campanha eleitoral com grande pompa. Os delegados nomeiam oficialmente seu candidato, que em um discurso aceita a indicação e descreve seu programa de governo.

No entanto, o aumento da disseminação do novo coronavírus no país, onde causou mais de 156.000 mortes, reduziu a magnitude desses eventos, com vistas às eleições presidenciais de 3 de novembro.

Na quarta-feira, "diante de uma pandemia crescente", os organizadores da convenção democrata, programada para os dias 17 e 20 de agosto em Milwaukee, Wisconsin, restringiram ainda mais os eventos planejados.

"Os oradores da convenção, incluindo o vice-presidente Biden, não viajam para Milwaukee para proteger a saúde pública", escreveram em comunicado.

O ex-número dois de Barack Obama, 77 anos, fará seu discurso de nomeação no estado de Delaware, onde ele mora.

Com essa decisão, a Convenção Nacional Democrata será realizada pela primeira vez em sua história em um formato totalmente virtual.

- "Fácil, charmoso, menos custoso" -

Trump, cuja campanha para a reeleição enfrenta uma economia em profunda recessão e um aumento dos casos de COVID-19, anunciou que planeja fazer seu discurso de nomeação de Washington DC.

"Estamos pensando em fazer isso na Casa Branca, porque não envolve deslocamentos. É fácil. E acho que é um ambiente bonito", disse o presidente em entrevista à Fox News.

É "de longe o menos custoso para o país", acrescentou, depois de apontar as vantagens "do ponto de vista da segurança".

O discurso de investidura de Trump seria um evento de massa da Convenção Nacional Republicana em Charlotte, Carolina do Norte, agendada para os dias 24 e 27 de agosto. No entanto, o plano teve que ser descartado para impedir a propagação do vírus, bem como uma tentativa de transferi-lo para Jackson, na Flórida.

Trump disse, contudo, que a decisão não foi tomada e que ele está disposto a mudar o lugar se houver alguma objeção. "Se alguém tiver problemas com isso, eu poderei ir para outro lugar", disse o presidente.

Nos Estados Unidos, os presidentes que tentam a reeleição devem separar seus eventos de campanha das atividades oficiais financiadas pelos contribuintes. Portanto, usar a icônica Casa Branca como cenário para o discurso de aceitação seria, no mínimo, um tanto questionável.

A pandemia, que torna impossível realizar comícios e viagens pelo país, priva Trump de uma de suas grandes forças: sua capacidade de galvanizar sua base eleitoral em grandes eventos de massa onde, para o deleite de seus apoiadores, ele faz ataques sem restrições.

Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, ele parece tentado a usar o "púlpito" privilegiado da Casa Branca.

Após várias semanas sem coletivas, ele acaba de retornar aos encontros diários com jornalista para abordar a COVID-19, que ele usa para defender seu governo e atacar seu adversário.

- Oráculo -

Preso em Washington, Trump também tem dado várias entrevistas nas quais enfatiza sua opinião negativa sobre Biden, a quem ele acusa de ter se tornado um radical sob a influência da ala progressista do Partido Democrata.

"Joe foi totalmente puxado para a esquerda", disse à Fox News na quarta-feira.

Durante esta entrevista, Trump admitiu que sua reeleição havia se tornado mais difícil, mas com seu otimismo característico, citou pesquisas favoráveis que não foram tornadas públicas. "Estamos bem", garantiu.

Um professor de História, considerado um oráculo em Washington por prever corretamente todos os resultados das eleições presidenciais desde 1984, incluindo a vitória surpresa de Trump em 2016, diz o contrário.

Allan Lichtman, professor de História da American University, escreveu em uma coluna do jornal New York Times que Biden vencerá.

Lichtman usa um processo analítico que ele chama de "13 Chaves para Ganhar a Casa Branca", focando menos nos candidatos e mais na posição política dos dois partidos concorrentes.

O diretor de comunicações da campanha de Trump, Tim Murtaugh, disse que não se deve acreditar em Lichtman.

"São os americanos que decidirão, não os acadêmicos ou os professores", afirmou ele à CNBC. E convenientemente observou: "Esta escolha é diferente de qualquer outra".