Covid-19: quanto custa a estratégia de testes em massa da China?

© RFI/Stéphane Lagarde

Gratuitas à população, as ferramentas da política "zero Covid" na China pesam no bolso do Estado, mas o governo não dá sinais de abrir mão desta estratégia. Enquanto uma campanha massiva de testes tem início nesta terça-feira (12) em Xangai, mais de 300 mil pessoas foram colocadas sob lockdown em Wugang, no sul, após a descoberta de apenas um caso de Covid-19.

Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim

A subvariante da ômicron BA.5 é o principal assunto nas conversas e domina as manchetes de jornais desde a descoberta de um novo foco em Xangai. O governo não demorou a reagir e a impor sua célebre política de testagem da população, mobilizando um dispositivo ao qual a população parece ter se resignado.

"Não tem motivo para eu estar aqui, mas vim me testar porque fiz check-in em um hotel e recebi um aviso no meu celular me pedindo para eu fazer um teste. Geralmente, fazemos um PCR a cada 72 horas, é normal aqui", diz à RFI uma sino-australiana que chegou a Pequim vinda de Xangai, em frente a um quiosque de testes.

Um teste a cada três dias faz parte do "novo normal" dos chineses. Para outros, essa rotina é ainda mais rígida: "há alguns dias estamos fazendo um diagnóstico a cada 24 horas. É meu trabalho que exige", diz a chinesa Zhao, moradora de Xangai. "Geralmente vou nas estações móveis, esses pequenos veículos especiais que passam pelos bairros. A espera pode parecer longa na calçada, mas o processo dura menos de meia hora", conta.

Quase 300 bilhões de yuans por ano

Os testes são obrigatórios, mas os cidadãos não gastam nenhum centavo. Algumas mídias estatais fizeram os cálculos de quanto eles custam para o Estado. Se mais de 500 milhões de pessoas das maiores cidades devem realizar um teste a cada 48 horas e cada um deles custa entre 3 e dois yuans (entre R$ 1,61 e R$ 2,42), chega-se ao valor de 294 bilhões de yuans por ano (R$ 237 bilhões).

Mas esse não é o único gasto: é preciso também pagar os profissionais de saúde que realizam os diagnósticos. Segundo a imprensa chinesa, esses trabalhadores receberiam 10 mil yuans por mês (cerca de R$ 8 mil) e cerca de três trabalham em cada quiosque de testes.

A RFI visitou um centro de testagem em Pequim que funciona das 7h30 às 19h30. De acordo com a enfermeira-chefe, em média, duas mil pessoas são atendidas por dia no local.

"Trabalhamos para um único laboratório, mas não há profissionais suficientes. Somos pagos por dia e faltam voluntários. Pequim é muito grande, há muita gente para ser testada e é necessário ter, no mínimo, um diploma de enfermeiro para realizar os diagnósticos", diz ela.

Ao que tudo indica, a política da testagem massiva seguirá em vigor enquanto o vírus continuar circulando. Segundo especialistas do escritório Soochow Securities, apenas a estratégia dos testes custa entre 1,3% e 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Mais de 300 mil pessoas confinadas

O governo chinês já deixou claro que o recurso dos lockdowns está longe de ser descartado no país, como ocorreu no resto do mundo nos últimos tempos. Nesta terça-feira, cerca de 320 mil habitantes de Wugang, no sul, passaram a obedecer um confinamento.

A decisão foi tomada depois que a cidade detectou apenas um caso da doença. Porém, segundo as autoridades locais, serão apenas três dias do que classificou como "controle rígido". Os moradores estão proibidos de sair de casa até o meio-dia de quinta-feira (14).

Eles também estão proibidos de usar os seus carros para sair. Dentro deste período, é possível apenas se deslocar em um "circuito fechado", mas apenas sob autorização. Para não gerar pânico, o governo local indicou que todos terão acesso a produtos básicos.

Apesar da política de "zero Covid", a China continua registrando casos da doença. Nesta terça-feira, foram contabilizados 347 novos casos, mais de 80% deles assintomáticos.

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