Covid-19: Queiroga afirma que 'se todos' entrarem na Justiça vai faltar vacina

Adriana Mendes
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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou nesta segunda-feira a judicialização para entrega de doses da vacina Coronavac e avisou que se todos procurarem a Justiça não haverá "doses pra todo mundo". Ele citou como exemplo a capital da Paraíba, João Pessoa, que conseguiu uma liminar e recebeu o imunizante. Queiroga admitiu que há "dificuldades" no fornecimento de vacinas para aplicação da segunda dose da CoronaVac, em vários estados, mas criticou a judicialização.

— Se todos judicializarem não têm doses para todo mundo — afirmou Queiroga, em sessão da comissão do Senado que discute medidas de combate à Covid-19.

O ministro informou que doses da Coronavac não serão entregues nesta semana, a previsão é que sejam distribuídas aos estados daqui a dez dias devido ao atraso da entrega o IFA ( Ingrediente Farmacêutico Ativo) ao Butantan pela China. Sem dar detalhes, Queiroga informou que o ministério vai emitir uma nota técnica sobre o assunto. Ele lembrou que há cerca de um mês a pasta liberou a aplicação da segunda dose, e, agora,“há uma certa preocupação”.

— Tem nos causado certa preocupação a Coronavac, a segunda dose (...) Agora, em face de retardo de insumo vindo da China para o Butantan, há dificuldades com essa segunda dose.

Queiroga também citou a divulgação, no sábado, da atualização do cronograma de vacinação no país. O número de doses esperadas para o mês de maio caiu de 46,9 milhões para 32,4 milhões. Ele justificou que estavam previstos 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin , que ainda não tem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa), e também a demora para entrega do IFA para produção de vacinas.

— O fato é que temos trabalhado fortemente pra conseguir mais doses – garantiu, informando também está em andamento uma negociação para compra de vacina de um outro fabricante chinês: — Quando tiver informações iremos divulgar.

A chegada de 1 milhão de doses da Pfizer está prevista para quinta-feira, dia 29. O imunizante será enviado aos estados em duas etapas, com 500 mil doses cada uma.

O ministro também fez um “apelo” aos estados para que respeitem o Programa Nacional de Imunizações (PNI), conforme pactuado entre os três entes da federação.

— Os senhores sabem que, na bipartite, às vezes se muda a orientação para incluir um grupo ou outro e isso termina por alterar a harmonia do programa e atrapalha o PNI — afirmou.

O coronavírus já matou nos primeiros quatro meses de 2021 mais do que todo o ano de 2020. Aos senadores, o ministro ressaltou que a variante P1, descoberta em Manaus (AM), "parece ser mais contagiosa" e estar associada a uma "maior letalidade". Os números, apontou o ministro, mostram a "gravidade" da doença. Apesar da redução do número de contaminado e de óbitos, o patamar ainda é alto.

Sobre problemas com fornecimento de medicamentos do chamado kit intubação, o ministro destacou que já abriu pregão "nacional e internacional" para a aquisição dos remédios. Prometeu também que em "curto prazo" irá anunciar a chegada desses insumos vindos dos Estados Unidos.

Na audiência, Queiroga ainda reforçou que a pasta prepara um protocolo com orientações sobre as substâncias que estão sendo usadas pelos médicos no país. A elaboração dos protocolos será feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec).

Advertência

Na sessão, ao falar sobre a importância de medidas como o distanciamento social e o uso de máscara, Queiroga citou o fato de o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) praticar atividade física ao ar livre sem a máscara.

— Estou vendo aqui o nosso querido senador Izalci Lucas praticar atividades físicas e ele está sem máscara – disse o ministro na transmissão, afirmando que embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) pareça flexibilizar a prática de atividade de física ao ar livre sem máscara, “ é sempre bom lembrar que é importante que todos nós passemos uma mensagem para a sociedade que a utilização é algo prioritário".

— Não é nenhuma critica ao senador, evidentemente – acrescentou o ministro.

Depois, Izalci entrou para fazer perguntas sobre a distribuição de vacinas e estava no parque já com a máscara.

— Há muita dúvida. Eu estou num parque que não tem ninguém, só estou eu andando de bicicleta sem mais ninguém. O uso nessa situação é necessário? A gente não sabe porque não há uma campanha.