Covid-19: resultados financeiros refletem catástrofe para o transporte aéreo

Sonia WOLF
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Mulher espera no aeroporto de El Alto, após seu voo ter sido cancelado devido à greve de controladores de voo na Bolívia, em 21 de outubro de 2020
Mulher espera no aeroporto de El Alto, após seu voo ter sido cancelado devido à greve de controladores de voo na Bolívia, em 21 de outubro de 2020

Os resultados financeiros das empresas do transporte aéreo são catastróficos no terceiro trimestre, cuja recuperação tímida foi prejudicada pela segunda onda da covid-19.

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA) avalia a queda do tráfego aéreo em 66%.

Somente nos aeroportos de Paris a queda para o ano pode ser de 70%, uma revisão maior que uma estimativa anterior de 65% para os dois aeroportos de Orly e Charles de Gaulle.

"Seis meses após o início da crise na Europa e Estados Unidos, os índices não mostram nenhum sinal favorável para uma recuperação rápida (...). Esta crise será duradoura e não será em V" com uma queda brutal seguida por uma recuperação rápida, explica em um estudo a agência de assessoria Alix Partners.

Após a suspensão do tráfego aéreo em todo o mundo durante a primavera (boreal), a recuperação começou muito lentamente, particularmente nos voos internos, a partir de junho antes de alcançar um máximo em agosto, para voltar a cair em setembro.

- "Stress test" no inverno -

"A temporada de inverno (no hemisfério norte) será um 'stress test' para as companhias", segundo a Alix Partners.

Nos Estados Unidos, as principais companhias aéreas American Airlines, SouthWest, Delta e United Airlines anunciaram em outubro uma receita em queda livre no terceiro trimestre. A American Airlines, número um do setor nos Estados Unidos, anunciou uma queda da renda de 73%.

Diante de uma falta de acordo de apoio ao setor aéreo em Washington após a suspensão dos subsídios destinados a ajudar a pagar aos trabalhadores, milhares de pessoas estão em paralisação técnica.

Na Ásia, a companhia de Hong Kong Cathay Pacific anunciou na quarta-feira o corte de 5.900 empregos, um quarto de seus efetivos e o fechamento da filial Cathay Dragon.

Na Europa, a IAG (casa matriz da British Airways e Iberia) e Lufthansa reduzirão drasticamente sua oferta no quarto trimestre, a 30% como máximo em relação à do ano passado no caso da IAG e a 25% no da alemã.

A escandinava SAS concluiu as negociações de um plano social com o corte de 5.000 empregos, 40% dos efetivos, anunciou a companhia na sexta-feira.

LATAM, a maior companhia aérea da América Latina, e suas filiais planejam operar em outubro com 24% e 26% de sua capacidade, em relação ao mesmo mês do ano passado, indicou recentemente a companhia, que sofreu uma queda de 75,9% em sua renda no segundo trimestre, e dispensou cerca de 12.600 trabalhadores. Em junho, a LATAM anunciou o fechamento de sua filial na Argentina.

- Perdas de emprego "catastróficas" -

Para a IATA, "a perspectiva das perdas de emprego de uma magnitude catastrófica é muito real", comentou nesta semana Rafael Schvartzman, vice-presidente da organização para a Europa, ao exigir novos apoios financeiros dos governos, até que a "indústria possa se colocar de pé".

Entre as boas notícias, a britânica Flybe, que havia declarado falência, pode voltar a voar no início de 2021, após o anúncio na segunda-feira de que foi comprada pela Thyme Opco, uma empresa controlada pelo fundo de investimentos Cyrus Capital.

Para tentar se recuperar, as companhias e os aeroportos pedem a realização de testes de diagnóstico em grande escala antes dos voos, para evitar medidas de quarentena na chegada, o que desanima muitos candidatos a viajarem.

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