Covid-19: Rio começa a aplicar a vacina da Pfizer; posto na Zona Norte teve confusão em busca do novo imunizante

Rafael Nascimento de Souza
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A cidade do Rio de Janeiro só terá doses da Pfizer/BioNTech — mais uma vacina disponível no país contra a Covid-19 — para as próximas horas. O primeiro lote do imunizante chegou no estado nesta segunda-feira, dia 3, à noite e começou a ser distribuído no município para os mais de 250 postos de saúde e clínicas da família nesta terça-feira, dia 4. Nesta manhã, houve confusão na Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, na Zona Norte, porque apenas 12 doses foram disponibilizadas no local. A Prefeitura do Rio garante que até o fim do dia os postos estarão abastecidos.

Moradores que foram cedo até o local em busca do novo imunizante já formam fila à espera da nova remessa.

Para a cidade do Rio foram entregues 46.800 imunizantes, que serão utilizados como primeira dose para vacinar o mesmo número de pessoas. Por dia, a capital ultrapassa esse número de atendimentos. A vacinação segue por critério de idade e por comorbidades.

Segundo Daniel Soranz, vacinar toda a população com as três vacinas distintas — CoronaVac, Oxford/AstraZeneca e Pfizer — e com a entrega de remessas pequenas é um desafio:

— Aumenta a complexidade na vacinação. Não muitas doses chegaram no Brasil, e isso deverá durar no máximo 48 horas. Sempre vamos dar preferência para a idade e comorbidades.

Pelo menos 15 pessoas, que queriam ser imunizadas com a Pfizer, voltaram para casa após procurarem o posto de saúde Estácio de Sá. É que o espaço ainda não recebeu a quantidade correta. A aposentada Heloísa Rey Pimenta, 69, moradora de Laranjeiras, na Zona Sul, foi com o filho até o Rio Comprido em busca da vacina recém-chegada. No entanto, não conseguiu. Ela foi uma das primeiras da fila.

— Eu não dormi à noite. Foi uma expectativa tão feliz. E agora a gente fica assim: frustrada. Avisaram a gente que não tem mais vacina da Pfizer. O secretário veio tirar foto e mais nada — lembra dona Heloísa.

A aposentada foi orientada por Soranz a procurar um posto de saúde perto de sua residência ao longo do dia que terão doses.

— Essa vacina está disponível para esse grupo que se vacina hoje. É pouca a quantidade de doses e deverá durar só no dia de hoje — destacou o secretário de saúde.

O superintendente estadual do Ministério da Saúde, George Diverio, pede que a população não escolha a vacina.

— A melhor vacina é a que a gente chega e consegue tomar. Tomem. Não deixem de tomar. Seja Pfizer, CoronaVac ou Oxford/AstraZeneca — destacou.

Primeira dose

A aplicação da primeira dose da Pfizer no município foi às 7h, na Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, na Zona Norte. Quem recebeu o imunizante foi o comerciante Alexandre Souza Almeida, de 63 anos. Com comorbidades, ele foi vacinado pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

— Eu vim muito cedo na ansiedade para tomar a vacina. Tenho várias comorbidades e perdi muitos amigos durante a pandemia, e ficamos aguardando para tentar voltar à vida normal. Agora, estou muito satisfeito — conta o comerciante.

Soranz explicou que a vacina da Pfizer é um pouco diferente dos demais imunizantes.

— Com as outras vacinas se aplica 0,5 ml na seringa. E agora, com a vacina da Pfizer, é 0,3 ml na seringa. Agora, todas as vacinas são boas, todas as vacinas protegem contra casos graves e óbitos por Covid. E a nossa recomendação é que ninguém fique escolhendo vacina nas unidades. Tome a vacina que tiver na sua faixa etária — destacou.

A pediatra Débora Aragão de Pinho Silveira, 36 anos, que está grávida de 36 semanas, foi a terceira a se vacinar nesta manhã. Ela chegou na unidade logo cedo na expectativa de ser imunizada.

— A gente aguarda com ansiedade. Com a notícia da Pfizer, eu fiquei alegre. A minha preferência era por essa vacina e por isso esperei esse tempo. Agora, estou mais aliviada.

Diabética e asmática, a pediatra receberá a segunda dose no próximo dia 27 de maio.

Segunda dose

Questionado se o governo federal terá vacinas para os próximos meses, Diverio afirmou que o Ministério da Saúde está trabalhando para que não haja falta de imunizante.

— A segunda dose da Pfizer está estocada em São Paulo. Estamos trabalhando com (a chegada de) mais vacinas e a população tem que acreditar que todos nós estamos trabalhando para que a vacinação aconteça da melhor forma possível.

Por determinação do Ministério da Saúde, a segunda dose será com 12 semanas após a aplicação da primeira. A recomendação do fabricante, bem como da Organização Mundial da Saúde, é de que a segunda etapa seja cumprida em 21 dias. De acordo o secretário, uma parte das vacinas da Pfizer está armazenada com o Ministério da Saúde para ser aplicada como segunda dose na data correta.

— Vamos aplicar todas as doses que recebemos por determinação do Ministério da Saúde. Eles nos prometeram novas doses — disse Soranz.