Covid-19: Rio estuda busca ativa por pessoas que não tomaram a dose de reforço

A baixa adesão do público adulto às doses de reforço cumpre papel central na próxima etapa da batalha travada pela Secretaria de Saúde do município do Rio para reverter a alta de casos de Covid-19 na cidade. Dados da pasta alertam para o número de 25% da população apta que não voltou aos postos de saúde depois da segunda dose da vacina contra o Coronavirus. Os números preocupam a Secretaria, que já busca alternativas para reverter o cenário. Uma das medidas estudadas é a utilização dos dados de cadastro da segunda dose para o mapeamento e busca ativa dos agentes por pessoas que ainda não tomaram a dose de reforço.

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A chamada busca ativa, inclui ligações por telefone para as famílias e, em alguns casos, até visitas domiciliares, é uma tentativa da Secretaria Municipal de Saúde de incentivar a procura pelos postos para atualização das cadernetas e reverter o cenário de alta dos casos.

Segundo Daniel Soranz, secretario de saúde do Rio, o público adulto sem a terceira vacina é o que mais preocupa neste momento, e a prioridade da pasta.

— A preocupação maior agora é justamente com as pessoas que ainda não tomaram nenhuma das doses de reforço. A gente tem feito campanha, tentado chamar essa população ressaltando a importância mas os resultados ainda não têm sido perceptíveis. Nessa próxima semana a Secretaria vai tentar mapear quem não tomou o reforço e tomou a primeira e segunda dose para fazer uma busca ativa com os agentes comunitários e as equipes, mas claro que o ideal mesmo é que essas pessoas procurem tomar o quanto antes o reforço. — afirmou.

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O aumento de casos nas últimas três semanas tem sido perceptível e preocupa a prefeitura, atualmente 138 pessoas estão internadas pela Covid-19 na cidade do Rio, segundo o secretário, 90% delas não tem o esquema vacinal completo com as duas doses de reforço.

Segundo Soranz, medidas mais restritivas como limitações de horário no comércio ou obrigatoriedade do uso das máscaras ainda não estão em discussão.

— Se a gente for olhar detalhadamente, vamos ver que mais de um milhão e duzentas mil pessoas que já poderiam ter tomado essas doses ainda não procuraram os postos de saúde. Essa é a população que mais nos preocupa neste momento e é justamente o público mais afetado. Qualquer medida restritiva neste momento não faz sentido, claro que o uso das máscaras em certos locais ou por pessoas que tenham alguma condição que as expõe ao risco é recomendada, mas a obrigatoriedade dessas medidas ainda esta fora de cogitação. — destacou.

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Vacinação infantil

Outra ajuda no combate a alta de casos acontece na quinta-feira quando a cidade deve iniciar a vacinação do público infantil (crianças entre seis meses e quatro anos de idade). Segundo a Secretaria de Saúde, a nova remessa de doses chega nesta quarta-feira e seguirá direto para a distribuição aos postos da cidade. A previsão inicial é de que a vacinação de crianças com mais de seis meses de idade com comorbidades comece já na quinta-feira.

Para garantir a dose será necessário levar documento que ateste a comorbidade, como receitas de medicamentos ou laudos anteriores a vacinação. De acordo com a Secretário, a priorização do grupo de crianças com comorbidades se deve ao baixo número de doses que serão disponibilizadas nesse primeiro momento.

— A população total de crianças entre seis meses e quatro anos de idade na cidade é de 337 mil crianças; desse número total, existem ainda as 20 mil que já foram vacinadas com a CoronaVac, disponível para crianças de 3 a 4 anos de idade desde julho. Nós já solicitamos mais doses da Pfizer infantil ao ministério, até porque sabemos que essas que serão enviadas não serão o suficientes. Justamente por isso, no momento, precisamos priorizar a vacinação de crianças com comorbidades.

Suspensão

Na última quinta-feira, a aplicação da 2ª dose da vacina contra a Covid-19 para crianças de 3 e 4 anos anos foi paralisada devido à falta de novas doses da CoronaVac destinadas a essa faixa etária.

A aplicação da primeira dose está paralisada na cidade desde o dia 26 de outubro. Segundo a Secretaria de Saúde, "apesar de reiterados pedidos ao Ministério da Saúde, não há previsão de quando novos aportes da vacina serão enviados pelo Governo Federal para retomar a vacinação dessa faixa etária".

A vacinação de crianças de 5 a 11 anos, no entanto, segue operante. A faixa etária está elegível a receber a vacina Pfizer pediátrica que segue sem alteração no repasse de remessas.

O Rio de Janeiro está entre os quatro estados brasieliros onde houve aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causadas pelas Covid-19, segundo a última edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira. Além do Rio de Janeiro, a doença cresceu também nos estados do Amazonas, Rio Grande do Sul e São Paulo.