Covid-19: Rio prevê encerrar aplicação do reforço na população adulta em julho de 2022

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RIO — A cidade do Rio deve aplicar a dose de reforço em toda a população adulta, atualmente elegível para a nova injeção, até julho do ano que vem, segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. A previsão difere das datas projetadas pelo Ministério da Saúde, que prevê encerrar o novo ciclo de imunização até maio de 2022.

A estimativa do governo federal é baseada no intervalo mínimo entre a segunda dose e a dose de reforço estabelecido pela pasta, de cinco meses. De acordo com Soranz, a projeção da prefeitura, mais conservadora do que a do ministério, se deve ao atraso de muitas pessoas para tomar a vacina ao longo da campanha.

— Tem gente que tomou a primeira dose hoje. No sábado (dia de mutirão), 1800 pessoas tomaram a primeira dose. Essas pessoas vão tomar a segunda dose no meio de dezembro. A terceira dose só chega cinco meses depois. Nossa previsão leva em conta esses atrasos, e também o fato de que não dá para reduzir mais o prazo entre a segunda dose e a dose de reforço, senão ela deixa de ser uma dose eficiente — explica o secretário.

Segundo o vacinômetro virtual da prefeitura, a maior lacuna proporcional da segunda dose atualmente é do público de 12 a 17 anos, no qual ainda há 357.197 pessoas só com a primeira dose e 31.075 sem imunização alguma. Em segundo lugar, vem o grupo de 18 e 19 anos, dos quais 35.846 estão sem a segunda dose.

São públicos que se vacinaram mais recentemente, e que tiveram a data da segunda dose adiantada, com a redução do intervalo da vacina da Pfizer, amplamente usada nessas faixas etárias, de três meses para 21 dias. Acontece que a adesão à mudança não foi unânime, seja por falta de informação — há quem ainda siga a data da segunda dose marcada na caderneta —, seja por resistência.

— Sabemos que em grupos de colégios há pessoas comentando que não querem adiantar a segunda dose dos adolescentes — afirma Soranz, que defende a antecipação. Embora estudos internacionais indiquem que o intervalo ideal da vacina da Pfizer é de dois meses, o prazo de 21 dias, adotado pelo Rio e preconizado pelo Ministério da Saúde, é o intervalo padrão da bula do imunobiológico.

Ainda de acordo com Soranz, aproximadamente 4 milhões de pessoas devem receber uma dose de reforço no Rio. Além das idades já contempladas no calendário divulgado pela prefeitura nesta quinta-feira, a Secretaria municipal de Saúde já projeta dar o reforço a pessoas entre 50 e 54 anos a partir de janeiro. Ainda não há previsões, porém, para as demais faixas etárias.

— A gente, a princípio, vai tratar como prioritário o grupo de 55 a 59 anos, que teve um calendário especial por idade. Esse público vai poder tomar a vacina com um intervalo menor, de três meses após a segunda dose (nos demais públicos, o prazo mínimo é de cinco meses). É um grupo que tem maior dificuldade para produzir anticorpos para a Covid-19 e também é o grupo que mais registra internações — afirma Soranz.

Reforço

No reforço, a prefeitura privilegiará a "mistura de vacinas", esquema conhecido por especialistas como vacinação heteróloga. A medida visa a promover uma maior resposta imunológica do organismo, como sugerem estudos internacionais.

Quem tomou a vacina da AstraZeneca ou CoronaVac nas duas primeiras aplicações deverá tomar, de preferência, o imunizante da Pfizer. E quem tomou a vacina da Pfizer deverá receber o reforço de AstraZeneca. Soranz pontua, porém, que quem preferir tomar uma dose da mesma marca das demais aplicações poderá fazê-lo.

A vacina da Janssen, que o Rio receberá nas próximas semanas, também pode ser usada para o reforço das demais vacinas. Uma remessa de aproximadamente 220 mil doses do imunizante deve chegar na cidade até o início de janeiro, segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

— Todos os que tomaram Pfizer ou AstraZeneca podem tomar a Janssen. (O uso da Janssen para o reforço) Depende da quantidade de doses de Janssen que a gente vai ter. Está prevista a chegada de um número muito pequeno — explica o secretário.

Segundo Soranz, cerca de 170 mil pessoas que tomaram a vacina da Janssen em junho aguardam para tomar uma nova dose do mesmo imunizante, que no Rio será aplicado a título de injeção de reforço.

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