Covid-19: Cidade do Rio recebe 113 mil novas doses, e vacinação de adultos será retomada na próxima segunda-feira

O calendário de vacinação de adultos contra Covid-19 será retomado na segunda-feira. Isso será possível porque, na tarde desta quinta-feira, o Ministério da Saúde enviou 300 mil doses da Pfizer para o estado do Rio e, segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz (PSD), 113 mil doses serão destinadas à capital. Ainda de acordo com ele, as vacinas vão ser entregues nesta sexta-feira e distribuídas aos postos de saúde no fim de semana. Nesta quinta-feira, o secretário se reuniu com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, por meio de videoconferência.

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Segundo o secretário, ainda não há previsão para novas remessas da Pfizer Baby, destinadas a crianças de 6 meses a 2 anos, e Pfizer infantil, para crianças de 5 a 11 anos, na capital. A situação preocupa a prefeitura, já que atrasa o cronograma de vacinação pré-determinado.

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— A falta de vacina no Rio é um problema de logística do Ministério da saúde, que possui estoque. São 1 milhão de doses para o estado do Rio, que devem ser entregues nas próximas semanas. Já a vacinação infantil, não. Não tem estoque de Pfizer Baby nem de Pfizer infantil. A vacinação de 5 a 11 anos que ainda segue acontecendo é porque temos um restinho de vacina, que vamos aplicando — explicou o secretário.

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Soranz lembrou ainda que há vacina no Ministério de Saúde, diferentemente do momento mais crítico da Covid no país, quando não era possível iniciar a vacinação por falta de doses:

— Falei com a ministra que a ideia é aumentar a cobertura vacinal do Rio, que hoje está em 30%. O primeiro desafio é ajustar a logística de entrega dessas vacinas, para não faltarem. Não é possível ter estoque no ministério e uma capital como o Rio de Janeiro não ter vacina para aplicar. Algo que não é compatível. Vamos tentar acelerar a distribuição assim que as vacinas chegarem para que a população possa se vacinar.

'Esperamos tanto para não ter vacina'

O funcionário público Thiago de Alencar, de 34 anos, e esposa Raisa Ruas, 30, grávida de 9 meses, se deslocaram de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, até o posto de saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, para tentar vacinar a filha Luísa Linhares, de 1 ano e 10 meses. Ao chegarem no postinho, horas após a prefeitura anunciar a suspensão da vacina, foram informados de não haviam doses da Pfizer Baby. A impossibilidade de imunizar Luísa, que frequenta a creche — nas vésperas da chegada do segunda filha — preocupa os pais de segunda viagem, que já tiveram Covid -19 e tomaram as quatro doses.

— A gente está bem preocupada porque vamos ter outra bebê agora. Vamos ter uma recém-nascida em casa e a Luísa vai para creche. Tiveram várias crianças com Covid-19 na creche dela agora no final do ano, mas deixamos ela em casa umas duas semanas — afirmou Raisa, que levou Luísa ao posto Manuel Silveira, no Catete, há três semanas, assim que o calendário de vacinação foi liberado pela prefeitura, mas não consegui vacinar por falta de doses. — Nós estamos vacinados com quatro doses, mas ela está completamente descoberta.

Situação parecida com as casal de professores Isabela Henrique, de 32 anos, e Arthur de Freitas, 45, pais da Maya, de 11 meses, e Iara, de 3 anos. Eles chegaram minutos após a reportagem falar com a Raisa e também não conseguiram vacinar. No meio do ano passado, a família toda pegou Covid-19.

— Eles disseram que não têm nem a primeira e nem a segunda dose contra a Covid-19. Eu queria muito que elas vacinassem. Nós somos professores e estamos sempre em contato com muitas pessoas. A Iara já está na creche e, se ela vacinasse, íamos nos sentir mais seguros. Na creche dela também tivemos crianças com coronavírus. A filha de uma colega de trabalho ficou internada. É horrível pensar que algo assim pode acontecer conosco. A ideia é voltar na próxima sexta para ver se já tem alguma dose — desabafou a professora.

A terceira dose da vacinação contra Covid-19 em crianças foi recomendada, inicialmente, apenas aos maiores de 12 anos. No entanto, a nova dose de reforço foi ampliada para crianças de 5 a 11 anos pelo Ministério da Saúde, que recomenda intervalo de pelo menos quatro meses entre as doses.

A nova recomendação da pasta faz parte de uma nota técnica assinada pela coordenação-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no dia 30 de dezembro. Atualmente, quase 300 mil crianças ainda não tomaram nenhuma dose da vacina contra o Coronavírus desde que o esquema vacinal começou a ser aplicado, em julho de 2022, com doses da CoronaVac, em crianças de 3 e 4 anos.