Covid-19: risco de falta de vacina gera maior procura por postos do Rio

Rafael Nascimento de Souza
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Após o prefeito Eduardo Paes (DEM) anunciar que o município do Rio poderá ter falta de vacina contra a Covid-19 caso não receba novas remessas na próxima semana, houve maior procura de idosos pela imunização na manhã desta sexta-feira. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde foi instalado um posto drive-thru, até às 10h, 500 carros já haviam passado pelo local. No primeiro dia de funcionamento, apenas 150 pessoas tinham ido ao campus.

Preocupado com a falta do imunizante, o aposentado Humberto da Silva Leone, de 85 anos, saiu de casa e dirigiu sozinho até o Maracanã. Ele temia não ser vacinado.

— Eu viria me vacinar mais tarde. No entanto, como falaram que poderia faltar a vacina, cheguei mais cedo — conta Humberto, que completou: — Espero que o governo envie mais lotes para o nosso estado. Torço também para que toda a população seja vacinada o mais rápido possível.

Vice-coordenador da Faculdade de Enfermagem da Uerj, o professor Ricardo De Mattos Russo Rafael afirmou que a instituição já imunizou quase oito mil pessoas. Segundo ele, desde quarta-feira (10) houve um aumento na procura da vacina. No universidade, o imunizante utilizado é a CoronaVac.

— Acredito que essa corrida tenha sido influenciada pela possibilidade da falta de vacina. (Hoje) Estamos recebendo muita gente da faixa etária de 85 anos. Nos primeiros dias de vacinação, não houve tanta procura — disse Ricardo.

Ainda de acordo com o professor, foi possível observar que idosos de muitos dos 92 municípios do estado se vacinaram na instituição.

— Estamos recebendo muitas pessoas de fora do Rio. Isso não é o ideal, mas não podemos deixar de aceitar, já que esse é um calendário do Plano Nacional de Vacinação. Como o Rio conseguiu maior quantia, para fazer a vacinação da população de risco, então estamos recebendo esses idosos — completa.

Antes de ser vacinada na Uerj, a aposentada Sylvia Tonine, de 85 anos, chorou esperando sua vez. Moradora de Vila Isabel, ela tem uma filha, cinco netos e dois bisnetos. Emocionada, lembrou dos dez meses que passou dentro de casa. Para Sylvia, o dia de hoje deve ser celebrado com um "renascimento".

— Estou chorando de muita emoção. É como se eu estivesse renascendo. Eu esperei tanto esse dia que nem consegui dormir à noite. Estava muito ansiosa. Agora, chegou a minha vez. Quero que tudo isso passe para eu reunir novamente a minha família — celebrou.

A filha da idosa, a professora aposentada Sylvia Helena Tonine Gomes, de 64 anos, também se emocionou.

— Não sei nem o que dizer. É um dia de muita emoção para a minha mãe — declarou a a docente, que saiu do Recreio dos Bandeirantes e pegou a mãe em Vila Isabel para que ela fosse inimizada.

Em Copacabana, muitos idosos abaixo de 85 anos estão tentando ser imunizados. Pouco antes das 12h, uma senhora de 82 anos chegou ao Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, mas foi informada que só poderia receber a dose na próxima semana.

A fila era grande no centro de saúde no início da tarde. Funcionários da unidade garantem que, em decorrência da alta procura pelo imunizante, não devem sobrar doses para a repescagem que ocorre aos sábados.

Moradora do bairro, a idosa Gerusa Ione do Amaral, de 85, saiu feliz da unidade de saúde. Acompanhada de uma cuidadora, ela conta que chegou ao local pouco antes das 11h e minutos depois foi vacinada.

— Estou feliz em ser imunizada. Tinha uma filinha mais foi muito rápido o atendimento. Agora é esperar a segunda (dose).