Covid-19: secretário de saúde diz que SP tem usado medicamentos alternativos para intubação

Redação Notícias
·3 minuto de leitura
Governor João Doria announces new measures to intensify the fight against the new coronavirus (Covid-19) in the State of São Paulo, this Monday, October 5, 2020 at the Palácio dos Bandeirantes in the neighborhood of Morumbi, south zone of São Paulo, Brazil. In the photo, the Secretary of State for Health, Jean Gorinchteyn. (Photo: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)
Secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, disse que a secretaria tem cobrado do Ministério da Saúde o envio dos medicamentos para intubação. (Foto: Aloisio Mauricio / Fotoarena / Sipa USA) (Sipa via AP Images)
  • Jean Gorinchteyn disse que medicamentos estão sendo utilizados para assistir de forma humanizada os pacientes

  • Ele já havia dito, na última quarta, que o estado precisava dos insumos em 24 horas para evitar um colapso

  • Secretário revelou, ainda, que enviou nove ofícios nos últimos 40 dias ao Ministério da Saúde, mas não obteve respostas

A ausência de insumos para o “kit intubação” fez com que o estado de São Paulo adotasse medidas extremas para a realização do procedimento. O secretário de Saúde do estado, Jean Gorinchteyn, revelou que medicamentos alternativos estão sendo utilizados nos pacientes.

"Temos feito apoios com associação de medicina. Foram feitos protocolos para que cada um dos grupos de medicações pudessem ser substituídos por medicamentos que temos no nosso estoque, para assistir de forma qualificada e humana esses pacientes. Isso é algo imperioso na humanização e qualidade do atendimento desses pacientes", declarou em entrevista à GloboNews.

Leia também

Diante do colapso causado pela Covid-19 em todo país, diversos estados brasileiros informaram que estão com falta de analgésicos e sedativos para realizar intubação de pacientes. 

O Ministério da Saúde também está com a reserva destes medicamentos praticamente zerada. Uma nota técnica do último dia 12, revelada pelo Estadão, mostra que a pasta tentou comprar remédios suficientes para seis meses. No entanto, só conseguiu adquirir 17% do contingente planejado

Em São Paulo, a situação não é diferente. Na última quarta-feira, a Secretaria de Saúde enviou um ofício ao Ministério alertando para a falta de medicamentos. O próprio Gorinchteyn chegou a dizer que o estado precisava dos insumos em 24 horas para evitar um colapso.

Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Sapopemba Hospital's ICU, in the same neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Sapopemba, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Sapopemba is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
Diversos estados brasileiros já informaram que estão com falta de medicamentos que fazem parte do kit intubação. (Foto: Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

O secretário revelou que já foram enviados nove ofícios ao Ministério nos últimos 40 dias alertando para a urgência da situação, mas não recebeu nenhuma resposta oficial.

"Se o governo federal retém parte das medicações e, por outro lado, não fornece nossas necessidades, isso impacta as unidades estaduais, mas principalmente municípios, que acabam com estoques muito menores. Temos feito diariamente rearranjos de distribuições, para várias cidades todos os dias, evitando colapso", comentou.

Chegada de medicamentos do 'kit' a São Paulo

Gorinchteyn revelou que o Ministério da Saúde deve receber nesta quinta-feira 2,3 mil doses de medicamentos que integram o “kit intubação”, mas esta quantia precisará ser distribuída entre diversos estados, e não encaminhada exclusivamente para São Paulo.

"Fizemos contatos informais que reiteram que hoje chegaram 2,3 mil doses. Mas, para que nós possamos ter fôlego, precisamos receber esse quantitativo de forma plena, total. Mas não é o que vai acontecer, visto a criticidade do momento. Vamos receber um percentual, assim como outros estados", afirmou o secretário.