Covid-19: Sem oxigênio e com cremação coletiva, Índia ainda trata pacientes com hidroxicloroquina

Redação Notícias
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Índia se tornou o novo epicentro da Covid-19 (Sanjeev Verma/Hindustan Times via Getty Images)
Índia se tornou o novo epicentro da Covid-19 (Sanjeev Verma/Hindustan Times via Getty Images)
  • Índia atravessa pior momento em toda a pandemia e se tornou epicentro mundial da Covid-19

  • Pacientes estão sendo medicados com remédios como a hidroxicloroquina, como acontece no Brasil

  • Hospitais locais estão sem oxigênio e cremações em massa têm sido organizadas

Em meio ao pior momento da pandemia, a Índia continua a ter pacientes da Covid-19 se tratando com hidroxicloroquina. Como no Brasil, diversos habitantes do país têm se medicado com esse e outros remédios sem eficácia comprovada no combate ao vírus.

Já descartados por estudos de entidades especialistas na área da saúde, estes remédios são usados na Índia por conta do baixo preço e dos “efeitos colaterais mínimos”, segundo o All India Institutes of Medical Sciences (AIIMS - Todos os Institutos de Ciências Médicas da Índia). No Brasil, fazem parte de um “kit Covid” que, mesmo sem qualquer prova de eficácia, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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De acordo com o diretor da AIIMS, Randeep Guleria, em entrevista ao jornal local The Indian Express, drogas como ivermectina e azitromicina também têm sido administradas aos pacientes com o vírus.

“Os dados (de pesquisa) não são muito fortes e não há evidências conclusivas de que esses medicamentos tenham algum benefício. No entanto, algumas pessoas usam a hidroxicloroquina, pois pode ter algum benefício e não causam danos. O mesmo se aplica à azitromicina, que não é usada como antibiótico, mas como imunomodulador. Ambas as drogas são usadas em algumas áreas”, declarou.

Ao contrário do que foi dito por Guleria, porém, estudos já mostraram que a hidroxicloroquina, por exemplo, pode reduzir a sobrevida de pacientes com o vírus, além de desenvolver arritmia cardíaca nestas pessoas. Os remédios do “kit Covid” também causaram mortes e levaram pacientes à fila de transplante de fígado no Brasil.

Até pelos efeitos colaterais, estes medicamentos não estão mais nas diretrizes indianas de combate ao coronavírus. Em março do ano passado, o governo local chegou a recomendar o uso de hidroxicloroquina como prevenção para profissionais da saúde e em casos confirmados assintomáticos, mas esta medida caiu.

País tem organizado cremações em massa para lidar com o número de mortos (AP Photo/Altaf Qadri)
País tem organizado cremações em massa para lidar com o número de mortos (AP Photo/Altaf Qadri)

Hospitais sem oxigênio e cremação coletiva

A Índia assumiu o lugar do Brasil como epicentro da Covid-19 no mundo, batendo recordes consecutivos no número de casos confirmados em 24 horas. No último domingo, foram 352.991 mil, maior marca de um país em toda a pandemia.

O pico do vírus resultou em um colapso na saúde do país. Diversos hospitais estão sem oxigênio para o tratamento de seus pacientes, e cremações em massa foram organizadas para darem conta do número de óbitos.