Covid-19: sindicato pede 'respeito' e indica 3,5 mil profissionais da Saúde afastados

Diego Amorim
Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari (Arquivo)

A falta de equipamentos de proteção individual tem trazido dificuldades para a contratação de pessoal para os hospitais e colocado os profissionais em risco. É o que afirma o Sindicato dos Médicos do Rio, que relaciona o uso inadequado com a contaminação de quem atua na linha de frente contra a Covid-19. Os números do sindicato apontam 3,5 mil profissionais afastados no estado com sintomas ou confirmação da doença. E mais: dez médicos, 25 técnicos de enfermagem e enfermeiros e outros 20 funcionários entre maqueiros, fisioterapeutas e farmacêuticos morreram em decorrência da Covid-19.

O presidente do sindicato, Alexandre Telles, aponta o descaso público.

— Não basta fixar cartazes agradecendo aos profissionais sem dar o devido respeito, que é traduzido por meio do fornecimento de quantidade adequada de aventais, luvas, toucas e máscaras, feitos com material de qualidade. Deve-se garantir também que os profissionais dos grupos de risco sejam afastados. Fizemos um juramento de prestar assistência à população e assim estamos fazendo. Mas temos direitos.

Segundo o médico Carlos Vasconcellos, dirigente do sindicato, a divisão de itens de segurança não tem sido feita de forma igualitária, já que, ainda de acordo com o diretor, os médicos usam EPI's melhores que enfermeiros e técnicos. Com isso, muitos se sentem expostos.

— Estamos notando que há um racionamento dos EPI's, o que coloca profissionais em risco. Há unidades onde pessoas usam o mesmo capote (avental impermeável) o dia inteiro, quando deveriam ser descartáveis, um para cada atendimento. Além disso, há uma distorção de classes. É muito comum ver médicos com EPI's melhores que os enfermeiros e técnicos, que acabam tendo até mais contato com os pacientes — diz ele, ressaltando que o fato não ocorre numa rede específica: — A situação se repete, não apontamos exatamente uma unidade pública ou privada.

O sindicato tem feito visitas a hospitais do Rio e documentando a situação encontrada nas unidades antes de enviar o material à Justiça. Nesta sexta-feira, feriado nacional do Dia do Trabalho, o grupo realizará uma ação para chamar a atenção contra as más condições de trabalho, com faixas penduradas em pontos de maior circulação.

— Para não criar aglomerações, duplas irão estender faixas na passarela da Rocinha, na passarela 9 da Avenida Brasil, em Copacabana e no Hospital municipal Moacyr do Carmo, em Caxias — cita Vasconcellos.

O médico ressalta que as dificuldades não ocorrem só no Rio, mas em outros países. Na Itália, foram feitas contratações na América Latina com salário mensal de R$ 50 mil para anestesista, por exemplo, e visto de trabalho. O governo dos EUA ofereceu green card (visto permanente de imigração) aos médicos. Até o momento, o sindicato não conhece profissionais brasileiros que foram atuar em outro país na pandemia.