Covid-19: Sírio-Libanês recusa pacientes e cancela cirurgias devido à alta de internações em SP

Redação Notícias
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Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Vila Penteado Hospital's ICU, in the Brasilandia neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Vila Penteado, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Brasilandia is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
A declaração foi feita pelo diretor do hospital Paulo Chap Chap, em um evento com trasmissão online. Durante a fala, Chap Chap defendeu medidas mais restritivas para conter o coronavírus (Foto: Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

O hospital de elite Sírio-Libanês, em São Paulo, informou nesta quarta-feira (10) que cancelou cirurgias eletivas — aquelas que não são de urgência — e que não consegue mais atender a todos os pedidos de transferências de pacientes devido à alta de internações pela Covid-19.

A declaração foi feita pelo diretor do hospital Paulo Chap Chap, em um evento com trasmissão online. Durante a fala, Chap Chap defendeu medidas mais restritivas para conter o coronavírus. 

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"Há muitos pedidos de transferência e não temos como atender. Cancelamos todas as cirurgias eletivas", disse Chap Chap. "Tenho 36 pacientes que pediram transferência para o Sírio e não estou atendendo. Hoje (quarta) de manhã não tinha nenhuma vaga em UTI. Estamos convertendo o maior número possível de leitos, mas o sistema não aguenta um tsunami."

De acordo com o Estadão, o hospital tem 217 pessoas internadas nesta quinta-feira (11). Para se ter ideia, no pico de internações no ano passado, em julho, eram 135. Ou seja, um aumento de quase 61%.

"Estamos vendo jovens morrendo, simplesmente pelo fato de que há muito mais jovens contaminados", disse ele, referindo-se às mudanças no perfil dos pacientes.

A capital paulista tem 80% dos leitos de UTI ocupados, assim como São Bernardo do Campo, Diadema, Barueri e Caieiras. Ainda na Grande São Paulo, Arujá, Embu das Artes, Mairiporã, Poá e Taboão da Serra registraram 100% dos leitos de UTI para pacientes com Covid-19 ocupados na terça-feira (9).

Com o colapso do sistema de saúde, o médico destaca que casos de média gravidade, que seriam tratáveis, podem resultar em mortes.

"Podemos chegar nessa situação, seria catastrófico." Para conter a disseminação do vírus, Chap Chap defendeu medidas mais restritivas, como o fechamento de templos e de escolas, diante da situação que ele chamou de "crítica".

Fase emergencial

Nesta quinta-feira (11), o governador João Doria (PSBD) colocou todo o estado numa etapa ainda mais rígida do Plano SP, a fase emergencial. Doria restringiu comércio, proíbe cultos religiosos e futebol em São Paulo. 

A decisão foi tomada após o estado chegar no pior momento da pandemia do coronavírus e passa a valer na próxima segunda-feira, 15 de março, e vai durar duas semanas, até 30 de março.

O estado tem 9.184 pessoas internadas por covid-19, índice 47% maior do que no primeiro pico da pandemia. O objetivo da fase emergencial é reduzir em 4 milhões o número de pessoas que circulam diariamente no estado.