Covid-19: Soranz diz que variante Delta tem transmissão ‘muito mais veloz’ e que prefeitura do Rio estuda combinação de vacinas

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Após a detecção da variante Delta da Covid-19 em dois homens, de 27 e 30 anos, moradores de Vila Isabel e da Ilha de Paquetá, as atenções se voltam, mais uma vez, para a chegada de uma nova cepa à capital, que, segundo a prefeitura, se mostra ainda mais contagiosa que as já predominantes. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a mutação, em pouco tempo, já se tornou a mais predominante no mundo, mas ainda estuda-se se ela é mais ou menos perigosa — em termos de internações e letalidade — em relação às outras.

No início da tarde desta sexta-feira, a pasta confirmou o terceiro caso, "uma mulher de 72 anos, com comorbidades, residente no bairro de Campo Grande, que desenvolveu quadro de síndrome gripal leve e já está curada", segundo informou a secretaria. O diagnóstico relacionado à variante ocorreu após sequenciamento genômico. Ontem, o secretario confirmou que a variante já circula pela cidade.

— A Organização Mundial da Saúde já colocou que a variante Delta é a variante que mais se tornou predominante no mundo, já está em mais de cem países, e em quase todos os países em que foram detectados os primeiros casos, ela subiu rapidamente o mapa de vigilância genômica e a predominância em relação às outras — afirmou. — Aqui no Rio, a gente ainda tem duas hipóteses, se ela vai conseguir se sobrepor à variante P.1 (com origem detectada em Manaus) e se essa variante de fato é menos letal e se causa menos casos graves. A gente já sabe que ela tem uma capacidade de transmitir muito mais veloz que as demais e há a hipótese de que ela seja menos letal e cause menos casos graves. Essa hipótese, no entanto, ela tem um ponto que é o fato de que, nos países onde ela entrou, boa parte das pessoas já estava vacinada.

Segundo o secretário, em muitos países já é discutida a aplicação de vacinas de diferentes fabricantes para, não só promover maior eficácia na imunização, como também para combater as cepas. Ele, que chama o processo de “vacina heteróloga”, acrescentou que é preciso estar sempre atento aos estudos pelo mundo, também, para que o Brasil, referência em planos de imunização, possa sair na frente.

— Muito provavelmente a vacina heteróloga pode, sim, combater melhor as variantes, e é isso o que está sendo discutido na maioria dos países. É uma discussão que precisa acontecer. A gente tem um Programa Nacional de Imunização que sempre foi referência mundial, sempre saiu na frente, e realiza vacinações heterólogas, então, é muito importante que a gente reforce a capacidade técnica do PNI para que cada vez mais a gente possa estar à frente desse debate, e não tomar decisões de maneira não-oportuna e que possa gerar risco às pessoas. É uma pandemia, então, tomar decisões oportunas é fundamental para salvar vidas — disse. — A maior parte das evidências científicas colocam que as vacinas heterólogas trazem efeitos de proteção superiores, então, a gente precisa colocar isso na pauta de discussão.

De acordo com Soranz, o principal risco observado pelos técnicos é em relação à possibilidade de a nova variante conseguir romper a barreira estabelecida pelas vacinas. Segundo ele, até agora, as evidências mostram que todas as vacinas aplicadas no Rio hoje são eficazes contra todas as cepas. Ele destaca que o fato de a Delta ter surgido em vários outros países antes de chegar ao Brasil ajuda na hora de observar como ela se comportou e como avançou.

— O principal risco quando a gente fala de variantes é delas conseguirem ultrapassar a barreira da vacina. Então, a nossa preocupação é que surja alguma variante que as vacinas não tenham uma cobertura adequada, principalmente para internações e para óbitos. Mas a gente vem acompanhando o que acontece pelo mundo. A variante Delta, por exemplo, já circula em outros países, então, temos bastantes pesquisas que embasam nossas tomadas de decisão. Nós já sabemos que as vacinas que temos hoje aplicadas na cidade do Rio de Janeiro cobrem contra todas as variantes que estão circulando aqui no Brasil, então, isso dá um nível de proteção e segurança bastante alto para as autoridades.

Hoje, segundo os dados da prefeitura, há pelo menos nove cepas circulando pelo Rio de Janeiro — Gamma (P.1), predominante, Alfa (B.1.1.7), Zeta (P.2), P.1.2, B.1.1.33, B1, B.1.1.119 e B.1.1.28. As identificações são resultado de análises genômicas realizadas entre 2020 e 2021 em 1.229 pessoas.

Esta semana, além dos três casos da variante Delta, foram detectados outros 46 novos casos de outras variantes que já circulavam pelo Rio. Desses, 37 entre moradores da cidade. No total, segundo a prefeitura, são 772 casos de variantes detectadas no município do Rio, sendo 636 entre moradores.

— Temos que estar sempre atentos à chegada de novas variantes, mas sabendo que temos uma variante de predominância aqui, que tem mais de 80% de predominância, que é a variante P.1, originada lá em Manaus — concluiu Soranz.

Novo calendário

Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais na noite desta quinta-feira, o prefeito do Rio Eduardo Paes anunciou a antecipação do calendário contra a Covid-19. A previsão é que todos adultos sejam vacinados com ao menos uma dose até 18 de agosto. Até o fim desta semana serão imunizados todos acima de 35 anos, encerrando com 33 anos em julho. A partir de agosto, entretanto, o calendário deixa de ser de três dias para cada idade e começa com 32 anos no dia dois, seguindo com uma data por idade até o dia 18 de agosto.

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