Covid-19: tudo o que se sabe até agora sobre a nova variante do coronavírus

Rafael Garcia
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO — A disseminação de uma mutação do novo coronavírus no Reino Unido, que pode ser até 70% mais transmissível e é apontada como o motivo por trás de uma escalada no número de casos da Covid-19 em algumas regiões do país, está gerando medo e muitas dúvidas na população. Apesar de sua descoberta coincidir com o início da vacinação em alguns países, especialistas ponderam que uma mutação capaz de anular a eficácia de imunizantes contra o Sars-CoV-2 pode demorar anos, mas reconhecem que a variante, batizada de B.1.1.7, é motivo de preocupação. Leia abaixo perguntas e respostas sobre esta nova cepa do coronavírus.

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O que é a mutação ocorrida no coronavírus?

Apesar do apelo espetaculoso que a palavra “mutação” adquiriu com histórias de ficção científica, ela descreve um fenômeno biológico corriqueiro e consiste em pequenos “erros de cópia” do material genético (DNA ou RNA) que ocorrem de uma geração para outra de um organismo.

A mutação ocorrida no coronavírus agora é preocupante?

Uma variante do vírus com 17 mutações, designada pela sigla "B.1.1.7" aumentou em prevalência no Reino Unido nas quatro últimas semanas, e cientistas levantaram um alerta, temendo que ela tenha ganhado espaço por ser mais infecciosa do que outras.

Essa variante do vírus é mais perigosa?

Há pouca informação científica disponível ainda, mas como oito das mutações do B.1.1.7ocorrem na proteína "espícula", que o Sars-CoV-2 usa para invadir células humanas, as alterações podem ter tornado o vírus mais capaz de proliferar.

Os cientistas têm certeza disso?

Ainda não há experimentos de laboratório que confirmem essa infectividade, e por enquanto não se pode descartar que a prevalência do B.1.1.7 tenha aumentado via "deriva genética". Por exemplo, pode ser que esse vírus tenha tido a sorte de entrar numa população humana que se isolou pouco.

É preciso mesmo ampliar medidas de distanciamento?

O Reino Unido implementou novas medidas de 'lockdown', mas tinha motivos de sobra para isso mesmo sem a presença do B.1.1.7, porque a epidemia saiu do controle na segunda onda. O bloqueio de alguns países europeus a voos britânicos é uma medida mais extrema.

A mutação vai prejudicar a efetividade de vacinas?

Há um estudo sugerindo que uma das mutações do B.1.1.7 o ajude a escapar da detecção pelo sistema imune de pessoas teoricamente já resistentes ao coronavírus. Cientistas, porém, creem que vacinas devem gerar imunidade suficientemente abrangente para contornar isso.

Essa é a única variedade mutante preocupante do coronavírus?

Não. Uma variedade que cresceu na África do Sul também está na mira dos cientistas. Uma outra que se propagou bastante na Espanha durante o verão também levantou alerta, mas cientistas depois concluíram que sua proliferação era explicável pelo comportamento humano.

Como a nova variedade do vírus é detectada?

Em princípio é preciso sequenciar o material genético do B.1.1.7 para identificá-lo, o que é caro. Um teste diagnóstico de PCR que detecta três segmentos do RNA do vírus, porém, pode ser útil para o monitoramento dessa variante, porque um dos segmentos perdeu sensibilidade ao teste.