Covid-19: ‘Vacinação privada não atrapalha a rede pública’, diz infectologista Julio Croda

Nesta terça-feira, dois milhões de doses da vacina contra a Covid-19 produzidas pela AstraZeneca serão entregues ao setor privado para aplicação em clínicas particulares do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. A informação foi adiantada ontem pelo presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVac), Geraldo Barbosa, em entrevista ao GLOBO. O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), acredita que a ampliação da oferta não impacta a campanha de imunização na rede pública, uma vez que hoje sobram unidades da fabricante nos postos de saúde.

— Esse é outro momento da pandemia, que sobram vacinas nos postos de saúde, especialmente da AstraZeneca e da Janssen. Então não vejo nenhum problema na oferta da AstraZeneca. É para um público específico, com maior poder aquisitivo, e não atrapalha a vacinação na rede pública. Até porque é a mesma vacina que tem nos postos de saúde — afirma o especialista.

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Ele explica que a realidade hoje é diferente daquela no ano passado, quando doses direcionadas a clínicas particulares poderiam reduzir a disponibilidade para a rede pública. Agora, ele ressalta que a facilidade do serviço privado pode atingir determinadas pessoas que têm condição para pagar pela vacina e ainda não iniciaram seu esquema vacinal, ou buscam a dose de reforço.

— Ela pode ajudar principalmente para um público que ainda não foi vacinado, e eventualmente para os que vão receber a dose de reforço na falta de Pfizer nos postos de saúde — diz Croda.

Isso porque, embora a recomendação do Ministério da Saúde seja de que a terceira e quarta dose sejam feitas preferencialmente com o imunizante desenvolvido pela Pfizer/BioNTech, a vacina da AstraZeneca também pode ser utilizada como reforço. A ABCVac estima uma média de 350 reais pela aplicação, que poderá ser feita nas clínicas seguindo as regras do Plano Nacional de Imunizações (PNI) ou por prescrição médica.

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Assim, a estratégia poderá atender, por exemplo, os casos de pessoas não idosas – ou seja, que não têm indicação para quarta dose pelo Ministério da Saúde –, mas cujos médicos acreditam que um segundo reforço traria benefícios.

A oferta particular de doses em clínicas particulares no Brasil é também o início da vacinação privada no mundo. Essa possibilidade no país passou a ser uma realidade apenas com o fim do Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), que implementava regras e recursos para o combate à Covid-19. Entre as imposições estabelecidas pela Espin estava a proibição da oferta de vacinas contra a Covid-19 em clínicas particulares.

O decreto que encerrou a medida foi assinado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no dia 22 de abril, e entrou em vigor 30 dias depois, na última semana. A mudança do cenário foi possível graças à melhora da situação epidemiológica do Brasil, afirmou a pasta sobre a decisão.

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A vacina da AstraZeneca tem o aval da Anvisa apenas para a aplicação em maiores de 18 anos. Logo, a faixa etária de crianças e adolescentes ainda não será contemplada em clínicas privadas. Ao GLOBO, o presidente da ABCVac disse que ainda não é claro como será a demanda pelos imunizantes na rede particular, mas acredita que será para atender cerca de 3% a 4% da população. Ele compara a estratégia com a campanha de vacinação contra a gripe, que contempla grupos prioritários pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e age de forma complementar nos serviços privados.

Embora estejam fora do sistema do SUS, as vacinas oferecidas no setor privado serão incluídas também no sistema do Ministério da Saúde para monitoramento de doses e da cobertura vacinal da população brasileira.

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