Covid: após suspeita, autoridades dos EUA afirmam não haver risco de derrame associado às novas vacinas

Suspeitas de que as novas vacinas bivalentes para a Covid-19, que ampliam a proteção contra a variante Ômicron, desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech poderiam aumentar o risco de derrames em pessoas com 65 anos ou mais não foram confirmadas por uma investigação científica intensiva, afirmaram autoridades federais de saúde dos Estados Unidos.

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“É muito improvável” que o risco seja real, disseram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora do país, em declaração conjunta. As instituições decidiram divulgar a preocupação, e os resultados da investigação, mesmo sabendo que poderia alimentar o sentimento antivacina por destacarem que a “transparência e a segurança das vacinas são as principais prioridades”.

“Acreditamos que é importante compartilhar essas informações com o público”, afirmam. Ambas pediram ainda que os americanos com seis meses ou mais continuem a buscar as doses de reforço atualizadas, disponíveis nos EUA para todas as faixas etárias.

“Manter-se atualizado com as vacinas é a ferramenta mais eficaz que temos para reduzir mortes, hospitalizações e doenças graves por Covid-19, como já foi demonstrado em vários estudos realizados nos Estados Unidos e em outros países”, escreveram no comunicado.

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A vacina bivalente foi projetada para impedir a versão original do coronavírus, bem como as versões da variante Ômicron BA.1 e BA.4 e BA.5. Há doses desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e pela Moderna, mas no Brasil apenas as unidades da Pfizer têm o aval da Anvisa.

Além disso, embora já tenham chegado unidades dos imunizantes no país, o Ministério da Saúde ainda não definiu a quem elas serão orientadas e quando. A expectativa é que a campanha tenha início pelos grupos prioritários como uma dose de reforço no período de quatro meses após a última aplicação.

Preocupações sobre uma possível ligação das vacinas com derrames isquêmicos – que podem interromper o suprimento de sangue para o cérebro – surgiram pela primeira vez no final do ano passado. Dados do Vaccine Safety Datalink, um sistema federal dos EUA de vigilância de segurança, sugeriram que os americanos com 65 anos ou mais poderiam estar em risco aumentado do problema nos primeiros 21 dias após receberem a injeção da Pfizer/BioNTech.

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De aproximadamente 550 mil pessoas com 65 anos ou mais receberam o reforço bivalente da farmacêutica nos EUA, foram relatadas 130 que tiveram derrames isquêmicos. Os dados levaram as autoridades federais a vasculharem outros bancos de dados de segurança de vacinas, bem como observações de estudos dos EUA e de outros países.

Após extensa pesquisa em múltiplos canais, os investigadores não encontraram evidências de aumento do risco de derrames em nenhuma dessas fontes, disseram as autoridades federais no comunicado. As descobertas devem ainda ser discutidas, no próximo dia 26, durante uma reunião de consultores científicos da FDA marcada para debater sobre futuras vacinas contra a Covid-19.